Se situação não mudar...

Sem apoio, Levy sinaliza que pode deixar cargo; medo de downgrade o sustenta

Ministro da Fazenda não falou em pedir demissão, diz a reportagem da Folha, mas deixou claro que, sem o apoio do Planalto, sua permanência à frente do ministério da Fazenda corria risco

SÃO PAULO – De acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, procurou ontem a presidente Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer, para reclamar de isolamento e falta de apoio no governo. Inclusive, ele pôs em dúvida sua permanência no cargo se a situação não mudar.

Depois de falar com Levy pelo telefone e ouvir que ele sentia “perda de apoio” para sua política de ajuste fiscal, a presidente fez uma defesa pública de Levy, dizendo que ele “não está desgastado” nem “isolado” no governo. “É um desserviço para o país falar que o Levy está desgastado”, disse Dilma ontem.

Levy não falou em pedir demissão, diz a reportagem, mas deixou claro que, sem o apoio do Planalto, sua permanência à frente do ministério da Fazenda corria risco. Um aliado do ministro afirmou que suas conversas com Dilma e Temer foram um “desabafo”, de alguém que sente que está perdendo as batalhas internas, uma após a outra.

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Um assessor presidencial, segundo a Folha, confirmou a conversa de Dilma e Levy, mas descartou a possibilidade de ele deixar o governo.

O Valor Econômico destacou em matéria de hoje que o medo de um rebaixamento de rating tem sustentado a permanência de Levy na Fazenda. Existe agora uma briga surda no interior do PT envolvendo a presença do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no governo, segundo Ribamar Oliveira, colunista do jornal, citando um importante líder do governo.

Alguns setores do partido querem mudar não apenas Levy, mas a política econômica em curso. A ideia de trocar Levy tem sido alimentada por ministros muito próximos à presidente, diz o colunista, que diz que Dilma não vai tirar Levy porque sua saída agora “será um desastre”. A fonte destaca que o ministro da Fazenda “é o pau da barraca” e sua demissão vai precipitar o rebaixamento (“downgrade”) da nota de crédito do Brasil pelas agências internacionais de risco.