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Do Zero Ao Gain: André Moraes fala sobre teoria de Dow, conceito de tendência e médias móveis

Selic é a menor da história, mas juro real no Brasil ainda é o maior do mundo

A boa notícia é que tudo indica que a tendência da taxa é mesmo cadente; podemos esperar novos cortes de 50 pontos-base?

SÃO PAULO – Confirmando as perspectivas de grande parte dos economistas, analistas e participantes do mercado, o Comitê de Política Monetária do Banco Central anunciou na última quarta-feira (06) um novo corte na taxa básica de juro da economia brasileira, a Selic.

Também em linha com as expectativas, a magnitude do movimento foi mais intensa em junho. O colegiado o BC implementou redução de 0,50 ponto percentual, o primeiro corte desta magnitude desde a última reunião de 2006, realizada em novembro do ano passado.

Essa foi a décima sexta redução consecutiva do juro básico desde novembro de 2005, quando o atual processo de flexibilização da política monetária do país foi iniciado. Desde então, a Selic registra recuo de 7,75 pontos-percentuais, caracterizando o maior período de abrandamento da política monetária já apresentado na história do país.

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Em termos nominais, a taxa básica de juro da economia brasileira, agora em 12% ao ano, é a menor da história da economia nacional. O nível já havia sido atingido em abril, quando o Copom reduziu a Selic para 12,50% ao ano. Antes disso, a menor taxa básica nominal da economia já registrada havia sido em outubro de 1974: 12,68% ao ano.

Brasil ainda tem o maior juro real do mundo

Segundo estudos da consultoria UpTrend, mesmo com a Selic em 12,00% ao ano, descontada a inflação projetada em 12 meses, a taxa de juros reais no Brasil está em 8,3%, ainda a mais alta do mundo.

O segundo colocado neste quesito seria a Turquia, onde os juros reais estão em 7,6% ao ano. Ou seja, para o Brasil perder a nada confortável posição de país com a maior taxa de juro real do mundo, a Selic ainda precisa recuar 0,7 ponto percentual e as demais variáveis permanecerem constantes.

Em um universo de 40 países analisados pela UpTrend, os juros reais médios estão em 2,3%. Ou seja, mesmo após uma longa seqüência de reduções da taxa Selic, muito ainda precisa ser feito até que o Brasil tenha uma taxa de juro que realmente estimule o consumo e os investimentos na expansão da produção.

É importante destacar, no entanto, que em termos nominais, o Brasil se mantém fora da liderança no ranking pelo sétimo mês consecutivo. Neste caso, estamos atrás de Turquia e Venezuela, que trabalham com taxas de juros nominais de 17,5% ao ano e 16,7% ao ano, respectivamente.

Mas tudo indica que tendência da Selic é mesmo cadente

A boa notícia é que tudo indica que a tendência da Selic é mesmo cadente, como gosta de ressaltar o presidente do Banco Central Henrique Meirelles.

A intensa pressão sobre a valorização do câmbio doméstico e a aposta de que o quadro benigno para inflação deverá se consolidar nos próximos meses, com o investimento crescendo em uma velocidade maior que o consumo das famílias, subsidiam tal percepção.

Podemos esperar novos cortes de 50 pontos-base?

Muitos economistas consultados pela InfoMoney compartilham a análise de que o atual cenário proporciona as bases para a manutenção do processo de afrouxamento da política monetária. O mercado, por exemplo, segundo as projeções do boletim Focus, considera em suas projeções que a Selic vai fechar o ano de 2007 em 10,75% e 2008 em 10% ao ano.

Classificando como passageira a volatilidade observada nos mercados internacionais ao longo dos últimos dias, os analistas da consultoria LCA são mais otimistas e avaliam que o Banco Central encontrará ambiente favorável para estender para o segundo semestre o ritmo um pouco mais rápido de corte da Selic.

“Mantemos a avaliação de que o juro primário poderá ser reduzido em 50 pontos-base em cada uma das próximas três reuniões do Copom. Como esperamos que o Banco Central desacelere o ritmo de corte apenas na última reunião do ano, seguimos projetando Selic a 10,25% ao ano no final de 2007”.