Segundo turno entre Bolsonaro e Haddad pode levar PSDB à implosão, com maior racha de sua história

Partido corre risco de vivenciar disputa ainda mais intensa entre a ala mais conservadora e liberal e os seus fundadores. Eleitores já se dividem neste cenário

Marcos Mortari

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SÃO PAULO – Em meio às dificuldades de o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) crescer nas pesquisas para a corrida presidencial, setores do partido já ensaiam uma aproximação com o deputado Jair Bolsonaro (PSL), alvo recente de ataques da campanha tucana, de olho em eventual disputa de segundo turno contra o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT).

Conforme conta reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, deputados e líderes do PSDB já demonstram preocupação com a possibilidade de o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e outros quadros apoiem Haddad caso Alckmin não consiga ir ao segundo turno. Reservadamente, tucanos admitem que o partido deve seu maior racha de sua história se isso se confirmar e pode “implodir” com eventual disputa entre a a ala mais conservadora e liberal e os fundadores da sigla.

Em processos eleitorais anteriores, o PSDB foi capaz de aglutinar as forças antipetistas, mas hoje o partido perdeu esse monopólio. Nesta corrida presidencial, as pesquisas indicam uma tendência de polarização entre Haddad, substituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa, e Bolsonaro, com forte discurso anti-PT e contrário ao sistema político vigente.

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Em meio ao possível impasse, uma das possibilidades ventiladas pela cúpula do partido é liberar os filiados no segundo turno, caso Alckmin fique de fora. Ainda assim, será difícil evitar atritos. Conforme conta a reportagem do Estadão, um grupo de militantes criou um grupo no Facebook chamado “Sou tucano e voto Bolsonaro”, que já conta com 6.986 integrantes. Do outro lado, lideranças já falam na expulsão desses membros.

Um dos fundadores do PSDB, o jurista José Gregori, ex-ministro da Justiça e titular da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos no governo FHC, disse ao mesmo jornal considerar um “equívoco” a aproximação de setores tucanos com Bolsonaro e disse que seu posicionamento é “diametralmente” oposto.

Não apenas os filiados tucanos, mas seus próprios eleitores estão divididos. Um cruzamento de dados da última pesquisa XP/Ipespe, divulgada na última sexta-feira (28), mostrou que, na simulação de segundo turno entre Haddad e Bolsonaro, os eleitores que hoje declaram apoio a Alckmin no primeiro turno se dividem em três grupos iguais: 1) voto em Haddad; 2) voto em Bolsonaro; 3) apoio a nenhum dos dois.

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Marcos Mortari

Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.