Análise

Segunda denúncia contra Temer coloca Alckmin entre a cruz e a espada

Governador sabe que precisa se reaproximar do presidente, mas movimento não é nada simples

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SÃO PAULO – A perda de fôlego de seu principal adversário na disputa para representar os tucanos nas próximas eleições presidenciais ampliou as chances de Geraldo Alckmin se confirmar candidato ao pleito de 2018. O prefeito João Doria, contudo, não joga a toalha e segue tentando mostrar que ainda tem forças para continuar no páreo e marcar posição em uma faixa interessante do eleitorado, como representante da novidade na política e defensor da ortodoxia econômica aliada a traços conservadores em outros campos, sem falar no cobiçado rótulo de candidato oficial do anti-lulismo.

O governador de São Paulo, por sua vez, mantém seu nível de competitividade a um ano do pleito, mas terá de enfrentar um novo desafio. Na primeira denúncia contra o presidente Michel Temer, organizou aliados no voto contrário ao governo, o que implodiu pontes com o Palácio do Planalto e pode cobrar seu preço no futuro, no que diz respeito a eventual apoio do PMDB a sua candidatura. Hoje, Michel Temer e outros caciques importantes do partido têm visto com muito mais simpatia uma eventual candidatura de Doria em comparação com a de seu padrinho político. Basta observar como o peemedebista se comportou em recente entrevista ao site Poder360:

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Fonte: Poder360

O governo está às vésperas de enfrentar a votação da segunda denúncia contra o presidente no plenário da Câmara dos Deputados. Antes do dia decisivo, Alckmin tentou fazer tímidos acenos a Temer em busca de uma reconquista de simpatia do Planalto e ao PMDB à sua candidatura em 2018. Contudo, tais sinalizações caíram por terra quando, ainda na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da casa legislativa, o deputado Silvio Torres, secretário-geral da legenda e principal aliado do governador na Câmara, manteve voto a favor do recebimento da denúncia contra Temer. Entre os tucanos, apenas a bancada de Minas Gerais votou com o presidente.

“Alckmin vive uma situação paradoxal: ao mesmo tempo que quer se descolar da impopularidade do presidente, sabe que não pode bater de frente com o PMDB, nem prescindir do mérito do PSDB na recuperação econômica, tocada pelo atual governo. A equação não é fácil e tem dividido os próprios aliados de Alckmin. Uma parte defende que ele demonstre boa vontade com o governo. Isso passaria por devolver dois de seus secretários, que são deputados, à Câmara para votar a favor do peemedebista na próxima semana. Outra parte defende o distanciamento. Alegam que a candidatura de Alckmin será alvo de críticas, se ele ficar vinculado ao peemedebista”, escreveram os analistas políticos da XP Investimentos em relatório.

Por outro lado, o governador conta com algumas vantagens. Está previsto para o início de dezembro o processo de sucessão de Aécio Neves (PSDB-MG) na presidência do partido, hoje interinamente ocupada pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Na recondução do mineiro ao cargo após afastamento decretado pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), Tasso teve papel fundamental e ganhou força para ser eleito presidente da sigla na próxima disputa interna. Esse seria o cenário ideal para Geraldo Alckmin, que também conta com maior controle da máquina partidária em comparação com seu adversário, cuja estratégia se concentra na construção de elementos externos de pressão (crescimento nas pesquisas e apoio de outros partidos).