“Se voltar, vai ser preso”, diz Bolsonaro sobre Eduardo, cuja licença termina domingo

"Estou me sentindo humilhado com tornozeleira e sem poder falar com Eduardo", afirmou após as medidas da PF

Paulo Barros

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Em fala a jornalistas nesta sexta-feira (18), na sede do Partido Liberal (PL), em Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) comentou pela primeira vez as restrições impostas pela Justiça à sua comunicação com o filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Afirmou que está impedido de manter contato com ele e avaliou que, caso Eduardo retorne ao Brasil, deverá ser preso.

“Estou me sentindo humilhado com tornozeleira e sem poder falar com Eduardo”, afirmou após as medidas da PF. Ao ser questionado sobre a atuação de Eduardo nos Estados Unidos, falou: “Se ele voltar pra cá, vai ser preso”.

A licença do mandato de deputado federal de Eduardo termina no próximo domingo (20). Após esse período, se não voltar ao Brasil, ele começará a tomar faltas não justificadas. Para manter o mandato de parlamentar, o deputado federal não pode faltar a mais de um terço das sessões do plenário da Câmara.

Jair Bolsonaro também declarou que Eduardo não articulou a imposição de tarifas contra o Brasil. “Foram do Trump”, disse. As falas contrastam com declarações feitas ao longo da última semana por Eduardo e pelo próprio pai, que admitiram a influência junto à Casa Branca na tentativa de colher apoio do presidente Donald Trump.

A fala de Bolsonaro ocorre após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs uma série de medidas cautelares ao ex-presidente, incluindo proibição de contato com outros investigados, o que abrange Eduardo Bolsonaro. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República sustentam que pai e filho atuaram em conjunto para pressionar autoridades americanas a interferir no andamento da ação penal que apura tentativa de golpe de Estado no Brasil.

Segundo a PF, Eduardo teria articulado, em território americano, a proposta de sanções contra ministros do STF, entre eles Moraes, por meio de contatos com aliados do ex-presidente Donald Trump. A investigação aponta risco à soberania nacional e acusa o grupo de obstrução da Justiça e coação no curso do processo.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)