Em coletiva

Se tiver indício de ligação a Lula, será investigado, diz procurador da Lava Jato

Operação deflagrada hoje pela PF envolve condomínio de apartamento no Solaris, no Guarujá; Lima afirmou que há "notícias de jornal" de que a família de Lula está desistindo da opção de comprar um imóvel: "essa questão nós estamos investigando mais a fundo"

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SÃO PAULO – Em entrevista coletiva para falar sobre a 22ª fase da Operação Lava Jato, chamada Triplo X, deflagrada na manhã desta quarta-feira, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ser investigado se tiver apartamento no Solaris. “Se tiver indício de ligação a Lula, será investigado”, afirmou. Familiares do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto estão sendo investigados, disse o procurador. 

A operação investiga ocultação de patrimônio através do empreendimento imobiliário. Há suspeitas de que a OAS, uma das empreiteiras envolvidas na operação Lava Jato, teria se utilizado do negócio para repasse disfarçado de propina a participantes do esquema criminoso da Petrobras. 

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima disse que há pessoas investigadas na Lava Jato que têm um benefício da OAS na compra de apartamentos no condomínio, o que é um indicativo de lavagem de dinheiro.

Lima afirmou ainda que há “notícias de jornal” de que a família de Lula está desistindo da opção de comprar um imóvel. “Essa questão nós estamos investigando mais a fundo”, destacou, ao ser perguntado se o ex-presidente também seria alvo da investigação.

Investigamos fatos. Se houver apartamento lá que esteja em seu (de Lula ) nome ou negociado com alguém da sua família, como todos os outros (será investigado). Temos indicativos do uso desses apartamentos para lavagem de dinheiro.” Neste momento, as investigações apontam para imóveis de propriedade de familiares de Vaccari, afirmou.

“O empreendimento originariamente era da Bancoop (Cooperativa dos Bancários de São Paulo) e foi assumido pela OAS. Temos indicativos que todos os apartamentos, ou boa parte deles, podem ter sido usados para lavagem de dinheiro oriundo de contratos com estatais. Estamos analisando e aprofundando a investigação.”

Além disso, a Panamaense Mossack Fonseca no Brasil, foi um dos alvos da operação. A empresa é responsável pela offshore Murray, que adquiriu o condomínio imobiliário no Guarujá, litoral paulista, inicialmente construído pela Bancoop, presidida entre 2005 e 2010 pelo ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, preso em abril do ano passado. O empreendimento foi repassado para a empreiteira OAS em 2009, em função de uma crise financeira da cooperativa. 

O principal alvo dos mandados de prisão foi a publicitária Nelci Warken, (que seria uma “laranja”, segundo o procurador), que já prestou serviços na área de marketing para a Bancoop e que foi presa nesta manhã em São Paulo. A suspeita é de que ela tenha ligação com a offshore Murray, sediada no Panamá, que detém a propriedade de um triplex no mesmo condomínio em que a OAS havia reservado um triplex para a família do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula, na praia de Astúrias, no Guarujá.  

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Os investigadores da operação anunciaram ainda que já estão presos Ricardo Honório, um dos sócios do escritório da empresa Panamaense Mossack Fonseca no Brasil, e Renata Pereira Brito que trabalhava com Honório.

Lima afirmou que ainda não se sabe o montante de dinheiro movimentado nas off-shores. Ele disse que manter off-shores no exterior não é ilegal, mas fazê-lo sem informar à Receita normalmente indica lavagem de dinheiro.

Outro foco da Operação foi a Mossack Fonseca, utilizada para abrir offshores. O delegado da PF Igor Romário de Paula afirmou que a Mossack é “maior do que a Lava Jato” porque “a demanda por lavagem de dinheiro no Brasil é farta”. Lima destacou, por sua vez, que um dos apartamentos do Conjunto Solaris estava de posse de uma das off-shores irregulares abertas pela empresa.

“Alto grau de suspeita”
A Polícia Federal incluiu o triplex 164-A, que seria da família de Lula localizado no Solaris, no rol de imóveis com “alto grau de suspeita quanto à sua real titularidade” sob investigação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. 

“Manobras financeiras e comerciais complexas envolvendo a empreiteira OAS, a cooperativa Bancoop e pessoas vinculadas a esta última e ao Partido dos Trabalhadores apontam que unidades do condomínio Solaris, localizado na Avenida General Monteiro de Barros, 638, em Guarujá-SP, podem ter sido repassadas a título de propina pela OAS em troca de benesses junto aos contratos da Petrobrás”, segundo a representação de prisões e de buscas e apreensões da Triplo X assinada pela delegada Erika Miarik Marena.

“Além das inconsistências já detectadas quanto ao imóvel que pertencera a Marice Correa de Lima (cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto), igualmente chamaram a atenção outros imóveis do mesmo condomínio que indicaram alto grau de suspeita quanto à sua real titularidade”, afirma a Política Federal. 

Defesa de Lula
Em nota, o Instituto Lula afirmou que o “ex-presidente e sua família jamais ocultaram a aquisição de uma cota de imóvel da antiga Bancoop, feita dentro da lei, nas mesmas condições dos demais condôminos e devidamente declarada à Receita Federal”. 

 “O Instituto Lula aguarda manifestação oficial da Justiça e não vai se pronunciar sobre especulações e ilações,” diz a nota.

A Triplo X
A PF deflagrou nesta manhã a 22ª fase da Lava Jato, cumprindo seis mandados de prisão temporária e dois de condução coercitiva na capital paulista, em Santo André, São Bernardo do Campo (na grande São Paulo) e Joaçaba, em Santa Catarina, além de 15 mandados de busca e apreensão. 

A PF apura a existência de estrutura criminosa na abertura de empresas off-shores e contas no exterior. Essas empresas teriam sido criadas para ocultar crimes de corrupção com recursos de delitos praticados na Petrobras.

 

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