Otimismo

Se fizermos o dever de casa, o estrangeiro vai voltar, diz Campos Neto

Presidente do BC justifica saída de estrangeiros com novo quadro de juros baixos e preços de ativos mais elevados, que leva à comparação com outros mercados

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central
(Marcelo Camargo/Agência Brasil) Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central

SÃO PAULO – O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou, nesta sexta-feira (24), que a saída de investidores estrangeiros do Brasil não se deve a uma avaliação negativa do mercado local e que, se o país continuar fazendo “o dever de casa”, recursos externos devem retornar.

“Conversando com estrangeiros em um evento que participei recentemente, muito concentrado em equities, há uma clara percepção de que a saída do estrangeiro não é porque ele não gosta de Brasil ou está pessimista com o país”, afirmou. Ele participou do evento “Desafios da Política Monetária”, realizado pela XP Investimentos em São Paulo.

Segundo Campos Neto, há um efeito migratório criado pelos juros mais baixos, que elevou os preços e levou o investidor a fazer comparações com outros mercados. “Se a gente continuar fazendo o dever de casa, o estrangeiro vai voltar”, ponderou.

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Durante a apresentação, o presidente do BC disse que os investidores estão buscando ações em países com crescimento mais alto. De um modo geral, a leitura é que o crescimento mundial parece se estabilizar. Já na América Latina, o crescimento brasileiro tende a se destacar, sobretudo em função de problemas enfrentados por países vizinhos.

Corrobora com a avaliação otimista do executivo o prêmio de risco atribuído ao Brasil, que, segundo ele, estaria precificando “um upgrade duplo”, em função de uma melhor percepção sobre a credibilidade do país.

O presidente da autoridade monetária brasileira também chamou atenção para um movimento diferente do câmbio: antes havia depreciação do real acompanhada de um aumento na percepção do risco-país, que também pressionava o mercado de ações. Desta vez, a desvalorização ocorre simultaneamente a uma queda no prêmio de risco — o que não indicaria piora nas perspectivas.

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