Prisão de Lula

“Se ele não sair em meia hora, nós vamos entrar”: diretor da PF relembra ultimato em prisão de Lula

Rogério Galloro, diretor-geral da Polícia Federal, conta que queria evitar atritos, mas a demora do petista em se entregar o levou a um ultimato

SÃO PAULO – Rogério Galloro, diretor-geral da Polícia Federal há cinco meses, relatou os detalhes das negociações para a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 7 de abril em sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo, ao jornal O Estado de S. Paulo. Ele conta que queria evitar atritos, mas a demora do petista em se entregar o levou a um ultimato: “Acabou! Se não sair em meia hora, vamos entrar”. Em seguida, ordenou que os agentes invadissem o prédio no fim do prazo estipulado. Lula se entregou às 18h.

“Quando eles [interlocutores de Lula] pediram detalhes da logística da prisão, nos convenceram de que havia interesse do ex-presidente de se entregar ainda na sexta [6 de abril, prazo dado pelo juiz Sérgio Moro]. Acabou o dia e ele não se apresentou. Nós não queríamos atrito, nenhuma falha”, relembra Galloro. 

No entanto, é sabido que não foi o que aconteceu. As negociações foram esticadas até a manhã de sábado, com a alegação de uma missa em memória da esposa de Lula, Marisa Letícia, falecida em 3 de fevereiro de 2017. O evento se alongou, os interlocutores pediram um tempo para o almoço e a tensão aumentava do lado de fora. 

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“Foi um dos piores dias da minha vida”, conta Galloro destacando o momento mais tenso do dia, quando uma multidão correu para impedir a saída de Lula. “Eu vi que ali poderia acontecer uma desgraça”, afirma Galloro, que não esteve mais frente a frente com o ex-presidente desde então. “É um simbolismo muito ruim”, justifica.

Galloro ainda afirmou que a Superintendência da PF em Curitiba não é o local apropriado para custodiar Lula e que o ex-presidente está lá de “visita, de favor”.

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