Ao Estadão

Se Dilma tivesse perdido a reeleição, o PT voltaria para mais 30 anos no poder, diz Giannetti

Em entrevista ao Estadão, economista conselheiro de Marina Silva diz que o Brasil não conta hoje com partidos que representem correntes de opinião e programas de governo. Para ele, a Rede precisa superar o experimentalismo

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SÃO PAULO – Os problemas de gestão do governo Dilma Rousseff aceleraram as duas principais crises atuais brasileiras: o esgotamento do ciclo de expansão fiscal iniciado em 1988 e a falência do presidencialismo de coalizão. Essa é a leitura que faz o economista Eduardo Giannetti, entrevistado pelo jornal O Estado de S. Paulo. Para ele, houve um estelionato eleitoral, mas, se a oposição tivesse vencido nas urnas o PT iria se fortalecer fora do poder e voltar.

“Se a oposição ganhasse, o problema seria outro. O PT, na oposição, ia fazer um carnaval e se viabilizar para voltar e ficar mais uns 30 anos no poder”, afirmou na entrevista. O economista é um crítico da atual configuração do sistema partidário nacional. Na sua avaliação, o Brasil não conta hoje com partidos que representem correntes de opinião e programas de governo. “Nosso presidencialismo de coalizão chegou a um estado terminal”, diz. Mas Giannetti não acredita que Michel Temer tenha a legitimidade necessária para conduzir uma reforma nesse campo, embora na área econômica veja avanços com a PEC do teto de gastos.

Conselheiro de Marina Silva por duas eleições, o economista também tem suas críticas ao partido recém-criado pela ativista e política. “A gravidade da crise brasileira não comporta o experimentalismo que a Rede dá a impressão de estar fazendo”, disse. “Marina terá de fazer uma opção: ou é uma líder de movimento, que abraça uma causa e tem uma dimensão simbólica na linha de Luther King, de Gandhi, ou é uma candidata a chefe do Executivo”.

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