Delatar ou não?

Se Cunha decidir fazer delação premiada, incertezas para Temer aumentam muito, avalia Citi

Segundo informa a coluna do Estadão, acuado, Cunha não quer fazer delação mas, diante dos últimos acontecimentos, já “não descarta nenhuma hipótese”

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SÃO PAULO – Em relatório, o Citigroup ressaltou que o voto aprovando o parecer pela cassação do presidente afastado da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pelo Conselho de Ética poderia significar perda de privilégios legais, gerando ainda mais incertezas para a administração do presidente interino Michel Temer. 

De acordo com os estrategistas do banco, incertezas viriam se Cunha firmasse um acordo de delação premiada. Segundo informa a coluna do Estadão de hoje, acuado diante da sucessão de derrotas sofridas por ele e sua família nos últimos dias,  seus advogados passaram a considerar a possibilidade de o peemedebista fazer delação premiada. De acordo com um assessor jurídico de Cunha, ele não quer fazer delação, mas “não descarta nenhuma hipótese”.

O interlocutor ouvido pelo jornal aponta que a possibilidade ganhou mais força depois da derrota no Conselho de Ética, do bloqueio de bens dele e da mulher, a jornalista Cláudia Cruz, da multa estipulada pelo Banco Central e da exclusão de Cunha do rol de pedidos de prisão indeferidos pelo ministro Teori Zavascki. 

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No relatório, o Citi ainda citou o distanciamento do presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL).

Ontem, Renan jogou “um balde de água fria” nas intenções do governo de aprovar a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que estabelece teto para os gastos públicos em breve. “Acho que medidas substanciais deveriam ser guardadas para depois da transitoriedade do governo. Medidas que poderão aprofundar o ajuste neste momento não são recomendáveis, porque estamos vivendo uma transitoriedade e talvez seja o caso de aguardarmos o julgamento final (do impeachment de Dilma)”, disse Renan.

Segundo o Citi, o presidente do Senado, paralisando a votação da PEC do teto de gastos do governo para depois da conclusão do impeachment pode ser um revés para a agenda legislativa de Temer.