Visão positiva

Se Bolsonaro for eleito presidente em 2018, a Bolsa vai para cima, afirma gestor

Destoando da percepção da maior parte dos investidores institucionais, André Gordon, da GTI, ressalta o viés pró-mercado do pré-candidato à presidência

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*por um problema operacional, a transmissão do vídeo foi interrompida na última pergunta 

SÃO PAULO – As últimas sinalizações pró-mercado do presidenciável Jair Bolsonaro ajudaram a melhorar a percepção dos investidores sobre como seria a reação da bolsa e do dólar caso ele seja eleito. Contudo, a maior parte ainda segue desconfiada, conforme apontou pesquisa realizada pela XP Investimentos com investidores institucionais (para conferir a pesquisa, clique aqui). 

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Contudo, enquanto a maior parte vê o Ibovespa para baixo e o dólar para cima caso Bolsonaro seja o novo presidente, o sócio responsável pela gestão da GTI Administração de Recursos André Gordon tem uma visão destoante sobre o assunto. 

Em palestra durante o congresso Value Investing Brasil nesta quarta-feira (29) em São Paulo, Gordon afirmou: “acho que a bolsa vai pra cima com Bolsonaro”. O gestor destacou ter conversado com assessores do presidenciável pelo Patriota e apontou que ele está com uma visão econômica pró-mercado. 

O gestor ainda fez menção à fala de Bolsonaro nesta semana de que está em conversas com o economista Paulo Guedes, com sinalizações de que pode colocar o economista no ministério da Fazenda caso seja eleito. Guedes é um dos fundadores do Instituto Millenium, um think tank brasileiro referência no pensamento liberal, e Ph.D em economia pela Universidade de Chicago, considerada também uma referência entre os liberais (para ver o perfil completo de Paulo Guedes, clique aqui).

“Esse é um sinal claro de que ele está voltado para o mercado. A não ser que Bolsonaro esteja criando um personagem e, quando chegar na hora, dirá que era tudo mentira e será o tirano que todo mundo diz que ele será. Mas eu não acredito nisso”, avalia Gordon.

Em entrevista ao InfoMoney após o seminário, Gordon apontou que o mercado tem essa visão equivocada anti-mercado do pré-candidato por questões ligadas ao passado dele em meio às referências ao regime militar (bastante associado à estatização), e também pelo viés mais negativo que os órgãos de imprensa dão a ele. Mas, para Gordon, Bolsonaro tem mostrado não só uma evolução nos últimos anos com relação a esses temas, mas também uma busca pelo “caminho certo”.

“Outra questão que pode ter contaminado um pouco é a visão sobre a reforma da previdência. Ele tem se mostrado contra essa reforma e obviamente a reforma é vista pelo mercado – e faço parte de quem pensa dessa forma – como a principal para aderir à PEC do teto de gastos (…). Ainda não foi a votação, mas pelo que sondei, ele é contra esse projeto, e não a reforma em si”, avalia o gestor, apontando que todos esses ruídos acabam por contaminar a percepção do nome dele.

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Medo do day-after?

Para o gestor, caso Bolsonaro ganhe as eleições, ocorrerá um movimento do mercado parecido com o que aconteceu com a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos: “a mídia vai criar uma chance de impeachment por semana, o que deve trazer muita volatilidade”. Mas sem o cenário de pânico que muitos vislumbram. 

Desta forma, haverá um ruído do mercado tanto se Bolsonaro quanto o ex-presidente Lula (este sim visto como o maior temor dos mercados) ganhar. Já caso Geraldo Alckmin (PSDB), governador de São Paulo, ganhe, haverá maior tranquilidade para o mercado.

Na apresentação, Gordon apontou que o melhor cenário para o segundo turno para os mercados dentre os mais prováveis seria Bolsonaro contra Alckmin, lembrando que o PSDB também mostrou objeções com relação à reforma da previdência proposta pelo atual governo: “é muito mais um medo do mercado pelo desconhecimento, do que pelo que possa acontecer”. Sobre uma possível dificuldade para obter apoio no Congresso, Gordon acredita que, a priori, o Legislativo não iria contra Bolsonaro – nesse aspecto, o maior risco de governabilidade viria da oposição.