Saída da Grécia da Zona do Euro é “administrável”, afirma BC alemão

Relatório do Bundesbank aponta que membros do grupo monetário não devem aceitar flexibilização no plano de austeridade

SÃO PAULO – O impacto de uma eventual saída da Grécia da Zona do Euro pode ser alto, mas ainda assim “administrável”, afirmou  o banco central alemão, Bundesbank, em relatório divulgado nesta quarta-feira (23).

Para o banco central da maior economia da Zona do Euro, os países que compõem o bloco monetário precisam se posicionar quanto ao futuro do programa de resgate à Grécia – estimando em € 130 milhões, provenientes do FMI (Fundo Monetário Internacional) e da União Europeia.

“A Grécia está sinalizando que não fará reforma fiscal nem implementará medidas de austeridade, contrapartidas fundamentais para que o resgate fosse autorizado”, destaca. “Isso coloca em xeque a manutenção da assistência financeira. As autoridades gregas precisam entender as consequências disso”, complementa.

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Nesse sentido, o banco foi taxativo ao afirmar que “os desafios gerados pela eventual saída da Grécia serão consideráveis, tanto para a Zona do Euro quanto para a Alemanha,mas ainda assim administráveis”.

Para o banco, a União Europeia não deve permitir flexibilização do plano de austeridade traçado para a Grécia, pois isso abalaria a confiança do mercado nas decisões da Zona do Euro.

Eleições
A Grécia prepara eleições para o dia 17 de junho, com o objetivo de escolher o novo primeiro-ministro. Os partidos, contudo, ainda não chegaram a um acordo sobre como o futuro premiê deverá lidar com a crise, visto que o plano de austeridade demanda mais cortes de gastos.

Segundo relatório do Bundesbank, a União Europeia assumiu um risco muito grande ao injetar liquidez na Grécia. “Os membros do parlamento precisam definir os riscos que aceitam assumir junto com a assistência financeira”, completa.