Operação musical

Saiba por que a nona fase da operação Lava Jato é batizada de “My Way”

A nova fase foi originada a partir da colaboração de um dos investigados, documentos e contratos apreendidos em fases anteriores, além de informações prestadas por uma ex-funcionária de empresa que foi alvo da operação, disse a PF

SÃO PAULO – Nesta quinta-feira (5), foi deflagrada a nona fase da Operação Lava Jato, batizada de “My Way” (Meu Jeito). O nome da operação faz referência a como um dos delatores do esquema, Pedro Barusco, chamava o ex-diretor de Serviços da Petrobras (PETR3;PETR4), Renato Duque, acusado de participar do esquema de corrupção na estatal.

A nova fase foi originada a partir da colaboração de um dos investigados, documentos e contratos apreendidos em fases anteriores, além de informações prestadas por uma ex-funcionária de empresa que foi alvo da operação, disse a PF. As informações de Barusco sobre o esquema de corrupção na diretoria de Duque, somada ainda à uma nova testemunha ligada a uma fornecedora da Petrobras foram cruciais para que a investigação entrasse em uma nova fase. 

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, embora Duque tenha sido alvo da homenagem, ele não era alvo dos mandados cumpridos na manhã desta quinta-feira. 

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E o jornal aponta ainda alguns paralelos entre a Operação Lava Jato e “My Way” (Meu Jeito), canção que ganhou notoriedade na voz de Frank Sinatra. 

Na primeira estrofe, a canção anuncia: “E agora o fim está próximo / E eu encaro a cortina final”. E também mostra uma das principais características da Lava-Jato, marcada por inúmeras delações premiadas: “Arrependimentos, eu tive alguns”.

A operação
A nona fase da Operação Lava Jato, deflagrada hoje pela Polícia Federal (PF), busca provas contra 11 operadores do esquema de corrupção na Petrobras. De acordo com a Policia Federal, há suspeitas de que 11 operadores atuaram na Diretoria de Serviços da Petrobras durante a gestão do ex-diretor Renato Duque.

As provas foram obtidas por meio de acordos de colaboração com outros investigados. No entanto, ainda não há documentação para basear uma denúncia formal contra os acusados.

Entre os investigados levados para prestar depoimento está o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Segundo a PF. ele deverá esclarecer denúncias de delatores de que atuava na cobrança de propina e de doações legais para o partido.

Segundo o Ministério Público Federal, órgão que coordena a força-tarefa da Lava Jato, os novos operadores descobertos não tinham poderes como o doleiro Alberto Youssef, mas também atuavam com agentes públicos na Petrobras. “Os esquemas na Petrobras que estamos investigando não se limitam aos operadores que estão presos, como Youssef e Fernando Baiano”, disse o procurador da República Carlos Fernando Lima.

São alvo da nona fase da investigação os contratos com a BR Distribuidora. Em Santa Catarina, a PF apreendeu grande quantidade de dinheiro e prendeu dois empresários acusados de fraudar contratos com a estatal por meio de notas fiscais falsas.

Segundo o delegado Igor Romário de Paula, 26 empresas são investigadas na nova fase da operação. De acordo com ele, há indícios de que, até o fim do ano passado, após a deflagração da última fase da Lava jato, as empresas continuaram atuando na fraude de notas fiscais e lavagem de dinheiro. “Eles [operadores] atuavam na intermediação entre o pagamento de recursos desviados e a propina das empreiteiras, [recursos] destinados a agentes públicos”, disse.

Nesta manhã, cerca de 200 agentes federais e servidores da Receita Federal cumprem 62 mandados judiciais em São Paulo, no Rio de Janeiro, na Bahia e em Santa Catarina. Ao todo, são 18 mandados de condução coercitiva, um de prisão preventiva, três de prisão temporária e 40 de busca e apreensão. Segundo a PF, a nova fase foi deflagrada a partir da colaboração de um dos investigados, de documentos e contratos apreendidos em fases anteriores, além de informações prestadas por uma ex-funcionária de empresa que foi alvo da operação.