Que ano é esse?

Sabe por que a Petrobras está subindo 12%? O rali eleitoral de 2014 explica

Mercado está diante de uma nova eleição, mas dessa vez, o nome dela é impeachment; oportunidade para as ações do chamado "kit eleições" ganharem volatilidade

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SÃO PAULO – O investidor que estava acompanhando o mercado em 2014, quando o clima de eleições tomou conta do País e muita gente operava em cima de pesquisas eleitorais, provavelmente viu algo de familiar nesta quarta-feira (9). Em votação na Câmara dos Deputados, a chapa da oposição na Comissão do Impeachment venceu o grupo de deputados mais alinhados ao governo, tornando um impedimento mais provável. A resposta da Bolsa a isso é uma alta de 4% do Ibovespa, principal benchmark de ações do Brasil. Em outras palavras, uma notícia ruim para a presidente Dilma Rousseff foi vista como positiva pelo mercado financeiro. 

O cenário se parece muito com 2014 para que possa ser ignorado. Até porque os papéis que mais sobem da Bovespa são justamente aqueles que faziam parte da chamada “carteira eleição”. Ou seja, ações de estatais como Eletrobras (ELET3, R$ 5,57, +1,83%; ELET6, R$ 10,04, +0,90%) e Petrobras (PETR3, R$ 9,42, +10,30%; PETR4, R$ 7,58, +6,31%) e bancos como Banco do Brasil (BBAS3, R$ 18,42, +7,85%), Bradesco (BBDC3, R$ 24,62, +3,01%; BBDC4, R$ 21,76, +4,11%) e Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 28,95, +4,70%). 

Segundo o analista da consultoria WhatsCall, Flávio Conde, não dá para atribuir a alta de hoje a algo que não seja o cenário político. “O petróleo está caindo lá fora, as bolsas norte-americanas operam perto da estabilidade, então tudo iria contra uma alta da Petrobras, por exemplo, e no entanto, ela sobe 10%”, diz. Para ele, isso é um sinal inequívoco de que vivemos hoje a mesma situação de um ano e meio atrás, com a diferença de que agora teríamos três turnos, em vez de dois. Seriam eles, a votação na Comissão de Impeachment, a votação no Plenário da Câmara e a votação no Senado. 

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Este terceiro turno seria justamente o mais difícil, já que a base do governo ainda é forte na casa alta do Congresso, tendo inclusive o apoio do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). 

A outra diferença com as eleições, é que as datas dos grandes eventos não estão definidas. Não sabemos quando essas votações, o que deve levar ainda mais volatilidade ao “kit eleição” do Ibovespa. Contudo, para Conde, essa volatilidade tem um viés claro, que é de alta. “As chances do impeachment ocorrer agora são maiores do que as de não ocorrer”, explica. Além disso, na sua avaliação, o impacto de uma eventual derrota da Dilma no processo de impeachment será muito maior nas ações do que teria uma vitória do Aécio. “Primeiro, porque o Ibovespa já está uns 10% mais baixo do que naquela época. E segundo, porque uma parte do serviço sujo que o [ex-candidato à Presidência da República] Aécio Neves teria que fazer já foi feito. Não vai ficar todo o ajuste para o [vice-presidente Michel] Temer se ele entrar.”

Em uma visão generalista, é possível observar semelhanças entre uma disputa eleitoral e o atual momento vivido pelo Brasil mesmo no campo da política. Na prática, uma leitura sobre o processo de impeachment de Dilma mostra um cenário de disputa entre dois candidatos: a própria presidente e seu vice, que, nos bastidores costura acordos para que sejam criadas melhores condições caso o cargo máximo da República caia em seu colo. Na prática, seria uma espécie de eleição indireta, na qual os candidatos buscam apoio dos parlamentares para ver quem sai com a faixa presidencial no peito.

Nesse sentido, Dilma teria a vantagem de precisar de menos votos para firmar posição. Para ela, basta 1/3 +1 voto da Casa, o que equivale ao apoio de 172 parlamentares, ao passo que Temer precisaria de 342 votos, sendo que as eventuais abstenções contam para a petista. Apesar desse aparente quadro de tranquilidade, a dimensão do desgaste político de Dilma torna a questão imprevisível e delicada para a petista. Evidentemente, há uma série de diferenças, como a maior exposição às investigações da operação Lava Jato, bem como a sujeição maior a acordos de baixo clero no parlamento dentre tantos outros. De todo modo, as semelhanças com o rali eleitoral não estão manifestas apenas na Bovespa, e merecem atenção do investidor.

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