Rui Costa critica comunicação do governo sob gestão de Sidônio, que culpa antecessor

Cobrança de ministro da Casa Civil durante reunião ministerial ocorre num momento em que governistas e petistas criticam atuação do ministro da Secom

Agência O Globo

Ministro da Casa Civil, Rui Costa, em Brasília
05/01/2023 REUTERS/Adriano Machado
Ministro da Casa Civil, Rui Costa, em Brasília 05/01/2023 REUTERS/Adriano Machado

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O chefe da Casa Civil, Rui Costa, fez críticas públicas à comunicação do governo federal em reunião nesta terça-feira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ministros. A queixa se dá em um momento em que a atuação de Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social da Presidência) é criticada por integrantes do governo e pelo PT. 

Durante a fala inicial na reunião, Rui Costa citou quatro vezes o nome de Sidônio ao dizer que era preciso comunicar à população sobre as propostas e conquistas do governo federal.

Um político que estava presente na reunião classificou esse momento como de grande constrangimento para Sidônio, já que a fala do chefe da Casa Civil foi interpretada pelos participantes como uma cobrança pública. De acordo com relatos, Sidônio demonstrou incômodo com as cobranças e buscou rebater Rui ao discurso —a fala do chefe da Secom não foi transmitida à imprensa.

Isso acontece num momento em que governistas colocam dúvidas sobre o desempenho de Sidônio à frente da Secom diante de levantamentos que mostram maior reprovação à gestão petista e rejeição a Lula chega a 46%, segundo Datafolha de março. O publicitário, que foi marqueteiro de Lula na campanha de 2022, chegou ao Planalto no começo de 2025 com a missão de azeitar a comunicação do governo —apontado naquela época como um dos principais problemas da gestão petista. 

De acordo com relatos, Sidônio, em sua fala, rebateu a cobrança de Rui Costa, ainda que sem citá-lo nominalmente. O chefe da Secom atribuiu os problemas ao seu antecessor no cargo, o deputado Paulo Pimenta (PT), que comandou a Secom entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025. As críticas foram feitas sem citar o nome de Pimenta. De acordo com relatos, Sidônio afirmou que faltou ao governo ter alardeado logo no início do mandato de Lula as condições herdadas da gestão anterior, de Jair Bolsonaro (PL). Como argumento, o chefe da Secom afirmou que a legislação não permite que canais governamentais façam comparação de uma gestão a outra.

Governistas apostam na estratégia de comparar o que o governo Lula fez em contraposição a Bolsonaro, numa maneira de atacar Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e adversário do petista nas eleições. O próprio Lula tem incorporado essa comparação em suas falas públicas. Aliados do presidente, no entanto, colocam dúvidas sobre a efetividade dessa estratégia.

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Segundo relatos, Sidônio pediu unidade no discurso dos ministros que agora assumem os cargos e os que estavam de saída. O ministro também orientou aos presentes que gravem ao menos um vídeo por dia para defender o governo e falar das ações da gestão petista. Ele também mostrou o que seriam consideradas marcas da gestão Lula 3, citando os programas Pé de Meia e Mais Especialistas, além da proposta de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil.

Além disso, segundo outro presente, o chefe da Secom teria reforçado que é importante clareza na mensagem divulgada à população. Sidônio também afirmou que o governo lançará vídeos com as realizações do governo federal em cada um dos estados brasileiros para exibição nas mídias locais. O filmete de São Paulo foi exibido durante a reunião.