Mapa Político

Risco político cresceu e continuará elevado mesmo com presidente reformista, diz Rafael Cortez

Mapa Político visa apresentar leituras inéditas do quadro eleitoral nacional, auxiliando os leitores na interpretação da conjuntura política e seus efeitos sobre os investimentos

arrow_forwardMais sobre

SÃO PAULO – Os investidores expostos à volatilidade do mercado brasileiro pré-eleições ganharam uma importante arma antes da corrida presidencial mais indefinida dos últimos tempos. Foi lançado nesta semana, na Loja de Relatórios InfoMoney, o Mapa Político, fruto de uma parceria com a Tendências Consultoria Integrada, que visa apresentar semanalmente leituras inéditas do quadro eleitoral nacional, auxiliando os leitores na interpretação da conjuntura política e seus efeitos sobre os investimentos.

Cientista político responsável pelas análises apresentadas, Rafael Cortez explica que a iniciativa tem por objetivo oferecer aos leitores uma análise menos perecível à efervescência do noticiário diário e com maior profundidade, capaz de auxiliar em decisões de investimentos que não fiquem reféns do curto prazo. Clique aqui para conhecer o Mapa Político.

PUBLICIDADE

“Uma lição que tiramos de toda esta crise é que não há nada que não possa ser alterado. A conjuntura internacional é repleta de potenciais focos de risco que podem afetar o comportamento da economia e que afetam diariamente os mercados”, observou o especialista, que esteve presente na InfoMoneyTV nesta quarta-feira para tirar dúvidas dos leitores — o que se repetirá ao longo do ano.

“Este produto oferece uma análise menos sujeita ao calor do momento, criando condições para que o eleitor navegue neste momento muito caótico — e 2018 vai ser realmente bastante complicado”, ressaltou Cortez. Para ele, desde que o ano começou, o risco político para o mercado cresceu em um ambiente de maior possibilidade de fragmentação da centro-direita com múltiplas candidaturas, com o surgimento de novas figuras na corrida eleitoral e em meio ao nível recorde de rejeição ao atual governo.

“Independentemente dos nomes que vão realmente sair depois de todo este experimentalismo que o mundo político tem nos proporcionado, temos algumas variáveis estruturais que sinalizam risco não só para o resultado, mas para as condições de governabilidade”, analisou Cortez. Com isso, o ambiente para a implementação de uma agenda ortodoxa defendida pelo mercado torna-se ainda mais desafiador. Para tal, não é necessária apenas vontade do futuro presidente, mas capital político para mobilizar forças indispensáveis.

Considerando que candidaturas da centro-direita tendem a apresentar maior alinhamento ideológico a este tipo de agenda de reformas econômicas com foco na questão fiscal, a conjuntura não é otimista para os investidores. A elevada rejeição à gestão Michel Temer e aos partidos tradicionais eleva drasticamente o passivo eleitoral deste espectro político.

“O cenário em que a centro-direita consegue ganhar está muito ancorado na ideia de que não haveria nenhum outsider com viabilidade eleitoral. Em algum momento, este nome era Luciano Huck, agora a bola da vez é o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa. Ele dialoga com uma agenda que tem mercado eleitoral. Parece-me que sua eventual candidatura vem com algum potencial de votos expressivo, limitando o que o mainstream pode fazer em termos de mercado eleitoral. Não há dúvidas que o risco hoje é maior”, pontuou o cientista político autor do Mapa Político.

Para ele, por mais que alguns nomes fora do campo governista estejam fazendo acenos à agenda do mercado, os riscos políticos ao ambiente de negócios não se encerram com a vitória de um destes nomes na disputa eleitoral. “Há uma questão estrutural que, independentemente do nome, vai ser mais difícil do que foi no passado qualquer nome implementar uma agenda de reformas. O Poder Legislativo descobriu que pode constranger o presidente. Diante deste cenário, a construção da governabilidade vai ser muito mais difícil do que foi para Fernando Henrique e Lula”, explicou Cortez.

PUBLICIDADE

O paradoxo entre a urgência de uma agenda fiscal e as crescentes dificuldades na condução de pautas em um Legislativo profundamente fragmentado reforça a perspectiva de um quadro político delicado mesmo após as eleições de outubro. “Nossa perspectiva é de risco político alto [em 2018]. E 2019 também deve ser um ano de bastante volatilidade, porque as reformas vão caminhar de maneira muito complicada”, projetou o especialista. A princípio, tudo indica que medidas desta natureza caminharão em marcha mais lenta do que a desejada pelo mercado.

Quer saber mais sobre o cenário político e como se aproveitar dele? Clique aqui e assine o Mapa Político