Risco do governo de Dilma Rousseff para gestão da Vale já foi precificado, diz Citi

Para o banco, a liderança da petista nas pesquisas de intenção de voto por semanas já dava pistas ao mercado de sua vitória

SÃO PAULO – Com a vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais, voltam à tona os temores do mercado acerca da dimensão das intervenções federais na Vale (VALE3, VALE5). Neste cenário, o Citigroup reitera a recomendação de compra para as ações, ao acreditar que tais incertezas já foram precificadas.

Na visão dos analistas Alexander Hacking e Claudia Elisabeth Feddersen, que assinam o relatório, a liderança da petista nas pesquisas de intenção de voto, há algumas semanas, já havia absorvido as preocupações quanto à sua chegada ao governo. 

Principais incertezas 
Entre as principais preocupações dos acionistas com a nova gestão está a cobrança de maiores royalties de mineração. Para o Citi, é bastante provável que as taxações passem de 2% para uma faixa entre 4% a 6% do preço do minério de ferro, embora o banco não descarte mudanças mais significativas. A escolha do ministro de Minas e Energia deve dar mais pistas sobre esta possibilidade.

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Também em relação às contas da companhia, há a chance dos fluxos de caixa serem usados para a execução de políticas federais. “Este risco é manejável e não deve prejudicar os projetos de exploração minério de ferro, cobre e carvão”, dizem Hacking e Claudia por meio do relatório.

A especulação mais radical seria a mudança no grupo controlador da companhia, caso a Bradespar fosse obrigada a vender sua fatia acionária à Petros ou ao BNDESPar. Neste cenário, a empresa se tornaria quase estatal, fator avaliado negativamente no longo prazo. “Todavia, este cenário é improvável, em nossa visão”, diz o Citi.

Por fim, há meses a imprensa especula a troca de presidente da mineradora, fato já desmentido pela própria companhia, através de comunicado ao mercado. Caso a premissa esteja correta, o banco acredita que o provável sucessor de Roger Agnelli seria Sérgio Silva Rosa.