Imprensa internacional

Reviravolta histórica e Brasil à beira de uma crise constitucional, diz FT sobre Lula

A semana de eventos no Brasil tem sido extraordinária, afirma jornal britânico

(Agência Brasil)

SÃO PAULO – O Financial Times destacou em matéria desta quinta-feira (17) os “eventos extraordinários” do mundo político brasileiro desta semana, com uma reviravolta histórica enquanto o Brasil espera o destino de Lula. O jornal lembra que a história brasileira está cheia de contos implausíveis, citando desde Fernando Collor, presidente impeachado por corrupção que voltou ao Senado sendo também acusado de corrupção, até Marco Feliciano, que foi eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, sendo que ele é contra os homossexuais.

O FT também cita Getúlio Vargas, que atirou em si mesmo quando estava de pijamas, Eduardo Campos, que morreu em um acidente aéreo enquanto estava em campanha presidencial e José Sarney, o primeiro presidente do Brasil democrático que assumiu sem ser eleito realmente. 

“No entanto, mesmo para os padrões brasileiros, os eventos desta semana foram extraordinários. Assim como a presidente Dilma Rousseff nomeou o seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil na manhã desta na quinta-feira, um juiz federal emitiu uma liminar bloqueando a nomeação”, afirma o jornal. Em uma outra notícia, o FT ressalta que o Brasil está à beira de uma crise constitucional após o juiz Itagiba Catta Preta suspender a decisão de Dilma de colocar Lula como ministro. 

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“Na quarta-feira de manhã, o líder de voz rouca estava perto de enfrentar uma detenção a qualquer momento pelas acusações de lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato. De noite, ele estava efetivamente dirigindo a nação. Na tarde desta quinta-feira, ninguém sabia o que iria acontecer”. 

Para o FT, se Dilma conseguir ser bem-sucedida e derrubar a liminar, é esperado que o seu mentor carismático lidere os esforços por parte do PT para resgatar a economia da pior recessão em um século e reconstruir a coalizão do governo. “Enquanto Dilma é conhecida por sua obstinação – a mesma determinação que a ajudou a suportar a tortura na ditadura – analistas dizem que ela provavelmente “deve sair” do governo e deixar que seu antecessor use suas habilidades como negociador hábil para bloquear o impeachment e salvar o legado do partido”, afirma.

O jornal reforça que, enquanto a sobrevivência do governo está longe de ser dada como certa na quinta-feira após a liminar e os protestos em todo o país, os investidores correram para prever as mudanças que Lula poderia fazer na política econômica, com temores de que ele poderia guiar políticas heterodoxas. O real se enfraqueceu, enquanto a Moody’s afirmou que, com a nomeação do ex-presidente como ministro, há uma mudança de prioridades dentro do governo – que não é o fiscal.

Analistas e economistas ouvidos pela publicação destacam que uma possível guinada com políticas heterodoxas era infundada. Porém, agora, tudo parece estar no plano hipotético, após Moro divulgar gravações entre Lula e Dilma que indicaria que a presidente o chamou para o ministério para tentar livrá-lo da prisão. Como ministro, Lula contaria com foro privilegiado e seria julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal). 

“Esta é a grande aposta Lula está fazendo”, disse Ricardo Ribeiro, analista político da MCM Consultores, ao jornal. “Ele está apostando que o seu caso não será julgado no STF no curto prazo, dando tempo para salvar o governo.”

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