Chance de queda

Revelações de Delcídio reforçam que Lula não salvará Dilma, afirma Eurasia

Independente do que Lula fizer, chance de queda de Dilma Rousseff permanece em 65%, avalia a consultoria

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SÃO PAULO – A provável nomeação de Lula como ministro, que pode ser retardada devido à delação de Delcídio do Amaral hoje, não salvará Dilma Rousseff politicamente, visão esta que foi reforçada pelas novas denúncias, disse a consultoria de risco político Eurasia em relatório. 

A Eurasia ressalta que, pouco depois das notícias de que o ex-presidente estaria próximo de virar ministro, houve uma reviravolta dramática na Operação Lava Jato, com a notícia de que o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, teria oferecido apoio financeiro para Delcídio, desde que ele desistisse de fazer delação.

Conforme destaca a Eurasia, isso jogou um “balde de água fria” nos planos de Dilma, enquanto Mercadante é um dos auxiliares mais próximos da presidente. “De forma mais ampla, este é um bom sinal de que, mesmo com Lula assumindo um cargo no governo Dilma, não viria a ser nenhuma bala de prata”, avalia a consultoria. 

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Assim, independente do que Lula fizer, a chance de queda de Dilma permanece em 65%. O ex-presidente integrando gabinete é “estranhamente uma estratégia ousada para Dilma”, embora ainda seja bastante improvável que isso a salve. “Em qualquer outro cenário, o ex-presidente teria uma enorme vantagem quando se trata de Congresso e movimentos sociais. Lula ainda mantém um apoio mais popular do que Dilma, mais influência com os legisladores centristas, e deve energizar a base do PT. Mas os passivos de Lula são tão importantes quanto seus ativos”, afirma. Isso porque, mesmo que ele traga a habilidade política, as investigações continuarão a implicá-lo, adicionando problemas à Dilma. 

Além disso, a sua entrada para o governo irá levar ainda mais a classe média alta para as ruas. O movimento de Lula como ministro será visto manobra como uma tentativa de fugir de uma investigação criminal e ganhar “foro privilegiado”.

Mais importante, independentemente da indicação de Lula, é a Lava Jato, que continuará produzindo novas evidências nas próximas semanas; as alegações de hoje contra Mercadante são mais um prenúncio do que está por vir, afirma a Eurasia. Destaque ainda para as delações no radar, do ex-deputado Pedro Corrêa e de Mônica Moura, esposa do publicitário de diversas campanhas presidenciais do PT João Santana, que podem implicar o PT e outros partidos.

“Todos os itens acima sugerem que a espiral da Lava Jato vai minar qualquer proposta de Lula ou Dilma para construir uma coalizão anti-impeachment no Congresso”, afirma a Eurasia.

Para a Eurasia, os requisitos para a presidente Dilma conseguir barrar o impeachment é ir para o centro da gestão e buscar reformas. Assim, o “improvável caso” de Dilma sobreviver depende de grande acordo com partidos de centro no Congresso, e não de se concentrar no populismo econômico, que muito se fala com Lula assumindo um cargo. Porém, com as manifestações e a Lava Jato no radar, os incentivos para que o PMDB saia do governo aumentam. 

 

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