Reuniões secretas com Alckmin pavimentaram “química” Lula-Trump na ONU, diz jornal

Estadão, que teve acesso a documentos sigilosos, diz que encontro de presidentes não foi por acaso, mas sim fruto de longa negociação que contou com reunião entre Alckmin e Jamieson Greer, além de influência de Joesley Batista

Paulo Barros

Vice-presidente Geraldo Alckmin
13/11/2024
REUTERS/Maxim Shemetov
Vice-presidente Geraldo Alckmin 13/11/2024 REUTERS/Maxim Shemetov

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Reportagem do Estadão revelou nesta sexta-feira (26) que o breve encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Assembleia Geral da ONU não teria sido fruto do acaso, como sustentaram publicamente os dois governos. Segundo o jornal, tratou-se do resultado de uma série de negociações discretas conduzidas por autoridades de alto escalão de Brasília e Washington ao longo das últimas semanas.

O Estadão apurou que o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, realizou em 11 de setembro uma videoconferência com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal. No encontro, que não foi registrado nas agendas das autoridades, foram discutidas pautas comerciais e o futuro da relação bilateral, mas também sinais de abertura para um diálogo político de maior fôlego.

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Poucos dias depois, em 15 de setembro, o chanceler Mauro Vieira recebeu no Rio de Janeiro Richard Grenell, enviado especial de Trump, em reunião reservada. Segundo fontes ouvidas pelo jornal, a conversa serviu para alinhar expectativas e manter “os canais abertos” para uma interação entre os presidentes durante a Assembleia Geral em Nova York.

A reportagem destaca que os contatos permaneceram em sigilo para evitar sabotagens, em especial por parte do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atua nos EUA junto a aliados do movimento MAGA para barrar aproximações. “A química entre Lula e Trump não pintou ao acaso”, escreve o jornal, ao frisar que havia um roteiro preparado para que os dois se cruzassem em áreas reservadas da ONU.

O Estadão também cita diplomatas brasileiros e empresários, como os irmãos Batista, da JBS, que teriam se mobilizado nos bastidores para destravar canais de comunicação com Washington, em meio à escalada da crise diplomática provocada pelas sanções da Casa Branca contra autoridades do STF.

Paulo Barros

Jornalista há quase 20 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve principalmente sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos