Segundo a Folha

Resistindo ao ajuste, “Bolsa empresário” vai custar R$ 224 bilhões ao governo em 2017

Folha de S. Paulo analisou proposta de Orçamento para 2017 que o governo encaminhou ao Congresso; dificuldade é mudança de contratos de longo prazo

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SÃO PAULO – O ajuste fiscal enfrenta uma série de resistências para ser implantado. De acordo com análise do jornal Folha de S. Paulo publicada no último domingo, a chamada “Bolsa Empresário”, série de subsídios e desonerações tributárias concedidas pelo governo às indústrias, resistirá ao ajuste e deve custar R$ 224 bilhões ao governo somente em 2017, ou 3,4% do PIB do país. 

O jornal analisou a proposta de Orçamento para 2017 enviada pelo governo ao Congresso, apontando que os principais programas de apoio à indústria devem consumir recursos equivalentes aos gastos efetuados pela ex-presidente Dilma Rousseff, mais a correção pela inflação. O montante equivale a mais de sete vezes o valor destinado no próximo ano para o Bolsa Família (R$ 29,7 bilhões) e supera os investimentos previstos em saúde (R$ 94,9 bilhões) e educação (R$ 33,7 bilhões), sem considerar o gasto com pessoal nessas áreas. Ao jornal, o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, afirmou que o governo Temer optou pela cautela na análise dos incentivos, uma vez que não quer romper contratos e teme agravar a recessão. “Temos uma pesada herança maldita, porque o volume de empréstimos subsidiados é muito grande e se estende pelos próximos anos”, afirmou.

O Ministério da Fazenda começou a tentar desmontar a rede de proteção à indústria durante a segunda gestão de Dilma Rousseff, através do então ministro Joaquim Levy, que  fez mudanças em vários programas, aumentando os custos de alguns empréstimos e interrompendo os repasses para o BNDES. Contudo, esses programas continuam pesando no Orçamento, porque envolvem contratos de longo prazo. O jornal também destaca que a retirada total dos subsídios à indústria seria politicamente delicada, já que entidades empresariais apoiaram o impeachment e têm dado sustentação ao governo Temer, inclusive pedindo votos para o teto dos gastos.

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