Repartição da CPMF entre esferas do poder público continua gerando polêmicas

Relator defende que, mesmo sendo correta do ponto de vista técnico, repartição deve ser avaliada do ponto de vista prático

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SÃO PAULO – Além da greve iniciada nesta terça-feira pelos servidores públicos federais em Brasília, o governo teve que enfrentar um outro problema: a polêmica dentro da própria base aliada em torno da repartição da CPMF (Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira) com Estados e municípios.

As discussões sobre esta questão foram reacendidas durante o encontro do Ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o relator da Reforma Tributária, Virgílio Guimarães (PT-MG), com lideranças governistas em Brasília. A polêmica deverá durar até o dia 15 de julho, quando Virgílio Guimarães apresenta ao Congresso seu relatório sobre a proposta de Reforma.

Relator teme desequilíbrios nas contas da União

Com relação à repartição da CPMF com Estados e municípios, o relator mostrou-se duvidoso sobre a viabilidade prática de tal medida. De acordo com Guimarães, a repartição é correta do ponto de vista técnico; entretanto, ainda não é certo se tal sugestão constará no relatório apresentado ao Congresso.

Neste sentido, o relator da proposta ressaltou que resta ainda saber se a repartição é viável do ponto de vista prático, uma vez que é desconhecida uma maneira equilibrada de implementá-la. O principal risco da medida consiste em um possível desequilíbrio nas contas fiscais do setor público.

A proposta de repartição da CPMF com Estados e municípios foi defendida pelo governador do Sergipe, João Alves (PFL) e pelo presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro Neto. Este último alertou, contudo, que a repartição somente deve ser aprovada caso não representa risco fiscal para a União.

Repartição da Cide é descartada

Um ponto que foi imediatamente descartado pelo relator da Reforma Tributária diz respeito à repartição da Cide (Contribuição sobre Intervenção do Direito Econômico) com os Estados, sendo esta uma das propostas defendidas pelos governadores. De acordo com Guimarães, a repartição da Cide, ao contrário da CPMF, é errada do ponto de vista técnico, uma vez que a contribuição é regulatória.

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Neste sentido, poderiam ser repartidas apenas as contribuições com finalidade arrecadatória, ou seja, que são utilizadas para gerar receitas aos Estados e posteriormente investidas na promoção do bem-estar social. A Cide, assim, sendo um instrumento de regulação e não especificamente de arrecadação, deve se restringir à União.