Renúncia de Berlusconi dá lugar à incerteza política, alerta Société Générale

Fragmentação política pode dificultar escolha de lideranças responsáveis por implantar reformas eleitorais e econômicas

SÃO PAULO – Na esteira do anúncio de que o primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi renunciará ao cargo após aprovar um pacote de austeridade fiscal, paira no ar as incertezas sobre quem será o próximo a governar o país em um período de crise fiscal e de crise da dívida soberana. Assim, o Société Générale traça quatro cenários classificados como possíveis ao país.

No primeiro deles, o governo de centro-direita retornaria ao poder ao retomar a maioria no Parlamento com a nomeação do aliado de Berlusconi, Angelino Alfano, o que preservaria a continuidade política “e muito provavelmente levaria a políticas similares àquelas vistas até agora”, indica o relatório assinado pelos analistas Claudia Panseri e Charlotte Lize e pelo economista Vladimir Pillonca.

Contudo, a alternativa que parece agradar a diversos membros da coalizão de centro-direita são as eleições no primeiro semestre de 2012, talvez em março, afirma o Société Générale.

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No entanto, caso a lei eleitoral não seja reformada antes da votação, uma coalizão dividida e instável pode surgir e atrasar as reformas no país. “Eleições no início do próximo ano podem atrasar ainda mais a implantação do orçamento de 2012, e atrasar o progresso de reformas estruturais”, alerta o relatório do Société Générale.

Governo tecnocrata ou de coalizão
Logo adiante, a opção seria a formação de um governo tecnocrata, chefiado por uma figura institucional com credibilidade, com o nome de Mario Monti, ex-comissário da União Europeia, liderando a lista. Nesse contexto, o governo poderia iniciar um processo de reformas e aprimorar o sistema eleitoral italiano. “A oposição parece aberta a essa possibilidade”, escrevem, apesar de ressaltarem a dificuldade desta alternativa, tendo em vista que tal opção não é apoiada por todos os partidos.

Por fim, assim como ocorre na Grécia, a terceira alternativa fica por conta de um governo interino de coalizão, no qual membros de centro-direita e de centro-esquerda se uniriam para chegar a um acordo. Nesse âmbito, o governo provavelmente teria mais facilidade para adotar as reformas eleitorais e econômicas. “Essa solução parece difícil de implantar dado o alto nível de fragmentação política, e por isso o aumento do risco de uma falha na coordenação”, ponderam os profissionais.