Renan Calheiros rebate em discurso denúncias de corrupção com empreiteiras

Senador estaria beneficiando contratos de empreiteiras com o governo em troca de financiamento de campanha

SÃO PAULO – A reportagem de capa publicada pela revista Veja na edição deste final de semana informa que o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB) teve suas campanhas financiadas por duas empreiteiras que prestam serviços ao governo: a Gautama (principal envolvida na Operação Navalha) e a Mendes Júnior, na qual trabalha Cláudio Gontijo, que Calheiros afirma ser seu amigo e a publicação acusa de pagar suas contas com dinheiro da empresa.

A função de Gontijo, segundo a revista, era a mesma de Zuleido Veras, proprietário da Gautama, a de defender os interesses da empresa junto ao governo, utilizando a troca de favores com Calheiros para obtê-los. Segundo a Veja, Gontijo teria financiado a campanha política não só de Calheiros, como também de seu filho, de seu irmão e de seu afilhado político, além de bancar o aluguel de um apartamento no valor de R$ 4,5 mil em Brasília e colocar à sua disposição um flat em um hotel da cidade. A revista também afirma que Cláudio teria pago a pensão alimentícia da filha de Renan no valor de R$ 16,5 mil até dezembro de 2007.

A Mendes Júnior enviou uma nota em que se ausenta de qualquer culpa eventual de envolvimento financeiro com o senador Renan Calheiros, afirmando que seus laços com o governo são estritamente os contratos com as empresas públicas que são resultado de concorrências e que estão à disposição para análise de veracidade.

A resposta

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Em discurso de aproximadamente 20 minutos nesta segunda-feira (28), o presidente do Senado afirmou que nunca misturou o “público com o privado”, e demonstrou o que dizia com documentos que apresentava enquanto discursava. Calheiros admitiu que pediu para Gontijo intermediar os pagamentos da pensão, mas que os recursos eram realmente seus.

Renan Calheiros classificou a reportagem da revista como um “falso escândalo”, negando qualquer relação com a Mendes Júnior, complementando que o que lhe foi feito foi invasão de privacidade. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao pronunciar-se sobre o assunto em seu programa de rádio matinal “Café com o Presidente”, afirmou que “até que provem o contrário, ele (Renan) é inocente”.

O discurso do senador foi bem recebido por seus aliados e, para seus companheiros de partido, os documentos apresentados provam a inocência. Já a oposição afirmou confiar nas explicações de Calheiros, mas que qualquer outro julgamento deve ser feito somente após a análise dos documentos apresentados. Todos os presentes fizeram fila para cumprimentar o senador após seu discurso.