Política

Renan Calheiros na presidência do Senado desagrada governo Bolsonaro e alas da oposição

Emedebista é um dos nomes cotados para disputar o comando da casa legislativa, mas ainda não confirmou sua candidatura

arrow_forwardMais sobre
Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – Os esforços de Renan Calheiros (MDB-AL) para ser reconduzido à presidência do Senado Federal na próxima legislatura já têm provocado uma contraofensiva entre novos parlamentares eleitos. Conforme noticia a coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, até mesmo entre um grupo de congressistas que articulam oposição ao presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) o emedebista enfrenta resistência.

De acordo com a coluna, um dos líderes do grupo, o senador eleito Cid Gomes (PDT-CE), disse a Renan que ele deveria esperar mais dois anos para voltar a postular o cargo. O grupo de senadores, que reúne integrantes do PDT, PSB, Rede e do PRP quer formalizar nesta semana o bloco com a divulgação de um manifesto e ainda tenta atrair nomes do PSDB, PP e até do DEM, apesar de o partido contar com três deputados indicados para o ministério do próximo governo.

Além de Renan, alguns dos nomes cotados para a imprevisível disputa pelo comando do Senado são: Simone Tebet (MDB-MS), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Álvaro Dias (Podemos-PR) e Davi Alcolumbre (DEM-AP). Em entrevista ao canal GloboNews, o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) reiterou que o novo governo não tem interferido nas eleições para o comando das casas legislativas, mas não escondeu sua contrariedade à candidatura do emedebista.

Aprenda a investir na bolsa

“Eu converso com todo mundo, mas apoiar o Renan Calheiros não tem a menor condição. Acho que é uma pessoa que também precisa entender esse momento que o Brasil está vivendo. E eu fico imaginando o seguinte: o que o Renan Calheiros pode estar oferecendo aos senadores para pedir voto, tendo em vista que será uma pessoa que não vai ter essa força que tinha em outros governos junto à máquina do governo federal”, afirmou Flávio.

“Se ele insistir com a candidatura, certamente uma parte considerável do Senado não vai caminhar com ele, é contra sua eleição. Então, de qualquer forma, haverá uma candidatura a ser colocada por esse segmento de senadores que não vai caminhar junto com Renan Calheiros. Então, vamos conversar para saber até onde ele quer ir com isso, qual é a intenção”, continuou. Para ele, o perfil ideal de um presidente para a casa é de um parlamentar ficha-limpa, conhecedor da instituição, que tenha bom trânsito e esteja alinhado com o espírito de renovação expresso nas urnas em outubro.

Ontem, Renan divulgou uma série de mensagens sobre sua possível candidatura à presidência do Senado. Por meio de sua conta no Twittter, o senador reeleito disse não querer ocupar o posto “a qualquer custo”, mas admitiu a possibilidade de se candidatar e disse que o MDB, por ter a maior bancada na próxima legislatura, teria “o direito de indicar o candidato”.

Nas postagens, Renan criticou um de seus principais adversários na disputa, o tucano Tasso Jereissati, e procurou manter um distanciamento do PT, embora seu nome conte com a simpatia de nomes do partido. “Se for contra o Tasso, deverei ganhar no PSDB, no PDT, no Podemos, no DEM. Aliás, essa hipótese dificilmente se viabilizará, porque as urnas deram ao MDB o direito de indicar o candidato”, escreveu.

“Segundo, porque Tasso continua patrimonialista (tudo que os brasileiros mostraram não querer mais)”, atacou. “Há três meses, eu estava cuidando da campanha em Alagoas e o Tasso me ligou desesperadamente para que eu viesse a Brasília aprovar a manutenção do subsídio da indústria de refrigerante. Imagine: continua produzindo coca-cola e obrigando os cearenses a pagar 100% do custo da produção, inclusive da água, que nessa indústria representa 98%. E ainda querendo que o Senado continue a pagar o combustível do seu jato supersônico”, continuou.

O senador reeleito também manifestou preocupação com o equilíbrio institucional e a relação com o STF (Supremo Tribunal Federal) e a Presidência da República. “Mais do que qualquer um, eu sei — porque já vivi — que democracia nenhuma sobreviverá sob a coação de ministro do Supremo tentando afastar chefe de Poder por liminar. Nesses anos todos, a única coisa que aprendi foi que, quando você empossa um presidente eleito — e já empossei três presidentes diretamente –, ali, naquela hora, quando as instituições estão reunidas, ninguém individualmente salva ninguém. Tem que ser uma ação coletiva, nunca isolada”, afirmou.

PUBLICIDADE

Seja sócio das melhores empresas da Bolsa: abra uma conta na XP e conte com assessoria especializada e gratuita