MERCADOS AO VIVO EUA criam 307 mil vagas no setor privado em novembro, abaixo do esperado, mostra relatório ADP

EUA criam 307 mil vagas no setor privado em novembro, abaixo do esperado, mostra relatório ADP

Política

Renan Calheiros atua para modificar e atrasar reforma trabalhista no Senado

Renan tem buscado apoio de parlamentares insatisfeitos dentro da bancada do PMDB e de outros partidos da base aliada, que estariam desconfortáveis com trechos do projeto

Aprenda a investir na bolsa

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), atua nos bastidores para tentar alterar o texto da reforma trabalhista, aprovado na quarta-feira, 26, pela Câmara. Ele também quer atrasar a tramitação da proposta, fazendo com que ela passe por diversos colegiados da Casa: Comissão de Assuntos Sociais (CAS), Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) – antes de seguir para o plenário.

Renan tem buscado apoio de parlamentares insatisfeitos dentro da bancada do PMDB e de outros partidos da base aliada, que estariam desconfortáveis com trechos do projeto. Para isso, ele conta ainda com a queda de popularidade do presidente Michel Temer, cuja avaliação positiva caiu para 4%, segundo pesquisa da consultoria Ipsos divulgada na quarta-feira. Renan também já está em contato com parlamentares da oposição para alinhar a sua estratégia.

A tramitação do texto dependeria de um entendimento entre o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), internado na madrugada desta quinta-feira, 27, após um mal-estar, e os líderes partidários. Caso a proposta passe pela CCJ, Renan possui um forte aliado na presidência do colegiado, Edison Lobão (PMDB-MA), que seria responsável por nomear o relator do texto. Já na CAS, a presidente é a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), que já sinalizou descontentamento com o governo.

Aprenda a investir na bolsa

Alguns governistas, entretanto, avaliam que Renan não conseguiria reunir um número suficiente de parlamentares para combater o texto aprovado na Câmara. O objetivo agora, dizem, é evitar o enfrentamento direto com o líder do PMDB e tentar o apoio dos senadores individualmente para que a tramitação seja acelerada. A expectativa dos aliados de Temer é votar a reforma em cerca de três semanas, mantendo o texto aprovado pelos deputados.

Hoje, Renan voltou a criticar abertamente a reforma trabalhista em discurso no plenário. O líder da bancada defendeu que “cabe ao Senado mudar muita coisa que veio da Câmara”. Segundo ele, o texto aprovado na madrugada desta quinta-feira (27) chega a “constranger” integrantes da base governista.

“Não acredito que essa reforma saia da Câmara e chegue aqui, ao Senado Federal – reforma de ouvidos moucos -, sem consultar opiniões; reforma que só interessa à banca, ao sistema financeiro, rejeitada em peso e de cabo a rabo pela população; reforma tão malfeita, que chega a constranger e a coagir a base do próprio governo. Por isso ela vai e volta, de recuo em recuo”, declarou.

Renan avalia que a reforma é “injusta”, porque retira direitos dos trabalhadores. “Ela rebaixa os salários, é sua consequência mais imediata e perversa. Ela pretende deixar o trabalhador sem defesa, condenado a aceitar acordos que reduzem a remuneração, suprimem reajustes e revogam garantias no emprego. Todos sabemos que acordos forçados em plena recessão, com 13 milhões de desempregados e com o desemprego aumentando mês a mês, é pedir que se aceite a crueldade como caridade”, criticou.