Azedou

Relação entre Bolsonaro e Câmara chega ao pior momento, mostra pesquisa XP

Levantamento com 201 deputados mostra retrocesso na percepção da relação com o governo, após boa vontade que antecedeu aprovação da reforma da Previdência

SÃO PAULO – A relação entre a Câmara dos Deputados e o governo do presidente Jair Bolsonaro chegou ao seu pior momento em dezembro, na ótica dos parlamentares. É o que revela a quarta edição de uma pesquisa feita pela XP Investimentos com deputados federais.

Segundo o levantamento, a avaliação dos congressistas sobre a relação entre a Câmara dos Deputados e o governo é avaliada como ruim ou péssima por 35% dos deputados consultados. O grupo representava 12% do total em fevereiro e só cresceu de lá para cá, chegando à marca de 33% em junho.

Já os que avaliam a relação entre os dois Poderes como ótima ou boa minguou de 57% para 33% no mesmo intervalo. O último resultado representa uma melhora de 5 pontos percentuais em comparação com junho.

PUBLICIDADE

Foi a segunda vez que a as avaliações negativas superaram numericamente as positivas. Em fevereiro, a vantagem era de 45 pontos a favor do segundo grupo. Hoje, o jogo inverteu e os críticos são maioria pelo segundo mês, com 2 pontos a mais.

(Fonte: XP Investimentos)

Foram feitas 201 entrevistas, de 19 de novembro a 3 de dezembro, com deputados federais de todos os partidos políticos com representatividade na Câmara. Deste total, 61 são da oposição e 140 de partidos que votam circunstancialmente com o governo. A amostra da pesquisa buscou respeitar a proporcionalidade das bancadas.

De acordo com o levantamento, 41% avaliam seu relacionamento individual com o governo como ótimo ou bom, ao passo que 31% dizem estar ruim ou péssimo. Seis meses atrás, os grupos tinham, respectivamente, 49% e 27%. Já os que classificam a relação como regular somam 24% — 5 pontos a mais em comparação com junho.

Os números são parecidos com os de abril, quando foi instalada a primeira crise entre os legisladores e a atual administração, em meio à falta de espaço oferecida no governo e ao não cumprimento de promessas de repasses de recursos para emendas parlamentares.

(Fonte: XP Investimentos)

A percepção de piora nas relações entre os Poderes ocorre mesmo com a constatação de que parte das demandas apresentadas ao Executivo têm sido atendidas em ritmo melhor do que antes. Do total de entrevistados, hoje 32% dizem que seus pleitos são bem atendidos, contra 31% de respostas negativas. Entre deputados fora do campo de oposição, as respostas positivas somam 44%, no maior nível desde a posse de Bolsonaro.

(Fonte: XP Investimentos)

Agenda legislativa

O retrocesso na percepção dos parlamentares sobre a relação com o Palácio do Planalto revelado pela pesquisa põe fim a um período de boa vontade que antecedeu a votação da reforma da Previdência. Com isso, crescem as dúvidas sobre as condições que o governo terá de conduzir a continuidade da agenda econômica no Congresso Nacional.

PUBLICIDADE

Em relação à agenda legislativa, a pesquisa conduzida pela XP Investimentos, ouviu dos parlamentares a percepção de importância de algumas das principais pautas em discussão no Congresso Nacional. Entre a totalidade dos deputados consultados, a reforma tributária e a ampliação de benefícios sociais são apontadas como prioridades.

(Fonte: XP Investimentos)

Os parlamentares também foram perguntados sobre o caminho a ser adotado em relação à PEC 438/2018, de autoria do deputado Pedro Paulo (DEM-RJ). O texto institui gatilhos para o cumprimento de metas fiscais e é similar a proposta posteriormente apresentada pelo governo e que hoje tramita no Senado Federal — a chamada PEC Emergencial.

Para a maioria dos deputados consultados (48%), a Câmara deve seguir com a tramitação do texto do congressista carioca, a despeito do andamento das discussões sobre a outra proposta pelos senadores. Apenas 25% concordam com a ideia do governo de aguardar o texto sair da outra casa e analisar os dois conjuntamente em comissão especial.


(Fonte: XP Investimentos)