Rejeição do plano desaponta analistas, mas crença em aprovação ainda é consenso

Derrocada dos mercados após a notícia deve aumentar apoio ao pacote anti-crise, que deve ser aprovado ainda nesta semana

SÃO PAULO – A rejeição do Congresso norte-americano ao plano de resgate do sistema financeiro do país, que provocou uma das piores sessões da história em Wall Street na última segunda-feira (29), foi recebida com grande desapontamento pelos analistas.

“Estamos muito surpresos e preocupados com a decisão do Congresso, afinal de contas, Warren Buffet afirmou que, caso o plano não fosse aprovado, então teríamos o pior colapso financeiro da história”, comentou o Credit Suisse referindo-se ao alerta feito recentemente pelo guru dos investimentos.

O banco atribuiu a reprovação do pacote à difícil situação política vivida atualmente pelos EUA, principalmente em função da proximidade das eleições presidenciais, que em sua opinião, dificulta muito um acordo entre republicanos e democratas para que a medida passe.

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No entanto, a instituição acredita que a derrocada das bolsas mundiais na última sessão deve aumentar o apoio entre os norte-americanos à adoção de medidas contra a crise, fazendo com que os governistas promovam as alterações necessárias para que o plano seja aprovado rapidamente.

Aprovação não deve eliminar volatilidade

A Merrill Lynch também confia que o governo do presidente George W. Bush deve ampliar seus esforços para que o pacote anti-crise seja aceito pelos congressistas na próxima votação, que pode ocorrer ainda nesta semana, segundo os analistas.

Quanto ao panorama político do país, o banco afirma que a postura dos republicanos frente à votação – com apenas um terço do partido a favor do plano – deve favorecer o candidato democrata Barack Obama na corrida pela presidência, principalmente tendo em vista a reação dos investidores à reprovação da medida.

A despeito das necessidades de medidas contra a crise, a instituição acredita que a forte volatilidade observada nos últimos meses deve continuar perdurando sob os mercados norte-americanos e, conseqüentemente, nas demais bolsas espalhadas pelo mundo, incluindo a brasileira.

Desta forma, a Merrill Lynch recomenda que o investidor aumente a exposição nos Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA), que costumam ter sua demanda elevada em períodos de maior incerteza para os mercados por serem considerados como uma das aplicações mais seguras de alocação.

Cenário pessimista

O Credit Suisse também projeta um cenário pessimista, no qual o Congresso não acate as mudanças feitas pela administração de Bush no projeto e reprove o plano novamente. Embora considere esta possibilidade bastante remota, o banco avalia que o fato traria sérias conseqüências à maior economia do mundo.

Uma delas seria a continuidade do movimento de desvalorização do dólar frente às principais moedas internacionais, como o euro e o iene, já que uma nova reprovação da medida aumentaria a aversão ao risco por parte dos investidores e prejudicaria a confiança com a divisa norte-americana.

As manifestações a favor de uma ajuda do governo dos EUA às instituições prejudicadas pela crise financeira têm sido cada vez mais recorrentes entre os especialistas e os executivos das empresas do país, principalmente em função dos riscos de uma omissão das autoridades à economia local.