Regulamentação do etanol é o principal motivo da visita de Bush ao Brasil

Criação de um mercado internacional do combustível é peça-chave na pauta do presidente norte-americano

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SÃO PAULO – A visita do presidente dos Estados Unidos George W. Bush ao Brasil na tarde desta quinta-feira (08) traz em sua pauta um assunto extremamente delicado: o etanol. Na mesa de negociações estarão diversas questões relacionadas ao combustível vegetal, sendo a principal delas a proposta de criação de um mercado internacional que possa regulamentar a comercialização do insumo.

O objetivo dos norte-americanos é o de transformar o etanol em uma commodity, ou seja, um produto que possua um regulamento de comercialização internacional, como o café, o milho e a soja. Atualmente, Brasil e Estados Unidos são responsáveis pela produção de cerca de 70% de todo etanol consumido no planeta, aproximadamente 35 bilhões de litros por ano.

A idéia é, em âmbito geral, positiva. Entretanto, é notório que as discussões entre os dois países irão longe, sobretudo pelas exigências por parte dos norte-americanos. Hoje, os Estados Unidos são os maiores importadores do álcool brasileiro, mas impõem uma sobretaxa à importação do combustível brasileiro igual a US$ 0,54 por galão, o equivalente a cerca de R$ 0,30 por litro. Esse imposto é um dos principais questionamentos dos produtores brasileiros, que temem que o mesmo ocorra com o etanol.

Investimento em pesquisas

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Uma das questões acerca do etanol a serem debatidas entre os dois países é a cooperação bilateral na área de pesquisa e desenvolvimento científico e tecnológico em relação ao combustível.

O Brasil tem especial interesse em participar de pesquisas que buscam simplificar a extração de etanol a partir da celulose, o que permitiria aos produtores brasileiros extrair álcool do bagaço e da palha da cana-de-açúcar, e não somente do caldo da cana, como ocorre hoje. O método atual aproveita apenas um terço de toda a planta, gerando um alto desperdício.

Viés político

A iniciativa dos Estados Unidos com relação ao etanol tem, claramente, um viés político nas entrelinhas das negociações. A busca pela criação de um mercado formal do combustível vegetal faz parte do plano de George W. Bush de amenizar a imagem dos Estados Unidos frente ao resto do mundo como sendo um país despreocupado com as questões ambientais.

Em janeiro último, o presidente norte-americano defendeu que o seu país adote, até 2017, o uso de 20% de biocombustíveis em substituição à gasolina.

Além disso, Bush quer, por meio do etanol, reduzir a dependência dos Estados Unidos da importação de petróleo de países como Venezuela e Irã, ambos com conflitos diplomáticos junto à Casa Branca.