Recuperação econômica, Ibovespa aos 80 mil: as previsões para 2010 do Citi

PIB da América Latina deve crescer mais de 4%, puxado pelo Brasil, que segue como top pick; olho em eleições e no Fed

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SÃO PAULO – Desemprego em alta, prejuízos corporativos, recessão: lá fora, o fim da crise ainda parece estar em um horizonte distante – embora o clima seja consideravelmente melhor. Simultaneamente, as principais bolsas latino-americanas registram sua melhor performance há anos.

O Ibovespa contabiliza em 2009 uma valorização de mais de 76%. O Merval, principal índice da bolsa argentina, acumula ganhos de nada menos que 110%. Performances semelhantes dão o tom das bolsas no México, Chile e Peru.

Os pessimistas temem um forte movimento de realização por vir; os ainda mais pessimistas especulam sobre uma possível bolha no continente. Mas tais opiniões são descartadas pelo Citi, cuja equipe de análise aposta em um cenário justamente oposto: a manutenção de ganhos pelas bolsas da América Latina em 2010, ainda que em um ritmo mais moderado.

Eleições e Fed no foco dos investidores

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À medida que 2009 se aproxima de seu fim, projeções já começam a ser delineadas para o ano que se põe à frente. E no caso da América Latina, uma principal variável em 2010 será as eleições presidenciais, que dominarão a agenda de países como Chile, Colômbia, Peru e Brasil.

Não faz muito tempo que eleições no continente despertavam grande temor entre os investidores. Na visão do Citi, no entanto, são quase águas passadas. “Certa volatilidade é esperada, mas um risco em longo prazo ao redor de tais eleições é baixo”, afirma a equipe do banco.

Nos EUA, todos os olhos estarão voltados ao Federal Reserve. Quando a autoridade monetária voltará a implementar uma política de aperto monetário no país é hoje uma das questões mais importantes que pairam sobre analistas e investidores. O palpite do Citi é para meados de 2010.

E como não poderia deixar de ser, os mercados deverão reagir a tal elevação na Fed Funds Rate. Mas para os analistas do Citi, não por muito tempo. “As ações devem sofrer um leve ajuste frente à ação do Fed, mas o rali deve ser retomado no decorrer do ciclo de aperto monetário”, prevê o banco.

Brasil se destaca entre projeções otimistas…

O tom otimista do relatório formulado pelo Citi estende-se às projeções macroeconômicas. As perspectivas dos analistas consistem em um crescimento de 3,1% em 2010 para o PIB (Produto Interno Bruto) mundial, puxado principalmente pelos países emergentes, que deverão registrar uma expansão de 5,6%.

A América Latina não fica de fora de tal panorama de recuperação. De acordo com os cálculos do Citi, o continente deverá crescer 4,2% em 2010, em uma performance influenciada principalmente pelas economias peruana e brasileira: ambas deverão reportar crescimento de mais de 5% no ano que vem.

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Economia em ascensão significa, salvo raras exceções, bons resultados corporativos. De fato, a equipe do Citi espera que a média do lucro por papel no mercado de ações latino-americano cresça 27,5% em 2010. E mais uma vez, o Brasil é destaque: por aqui, tal expansão deverá ser de 32,5%.

…e segue no posto de top pick

Desse modo, o Citi mantém o Brasil como sua top pick entre os mercados do continente, ainda que os ganhos da bolsa brasileira devam ser mais modestos em 2010 do que vem sendo nesse ano. A estimativa do Citi é de que o Ibovespa, seu principal índice, conclua o ano que vem na casa dos 80.000 pontos.