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Recesso? Com delação de Cunha no radar, nova deflação no Brasil agitará o mercado

Mercado deve tirar um pouco as questões políticas do radar, mas novidades sobre delações ainda podem trazer tensão para a bolsa

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SÃO PAULO – Após uma semana de correria na política, com o governo de Michel Temer conseguindo vitórias com a aprovação da reforma trabalhista e com a derrubada do relatório a favor da denúncia contra ele na CCJ da Câmara, agora o presidente terá algumas semanas de trégua com o recesso parlamentar, apesar da vontade de ter sua denúncia votada em plenário logo – que ficou marcada para dia 2 de agosto.

Mesmo assim, uma “surpresa” com a confirmação de uma delação premiada do ex-deputado Eduardo Cunha pode jogar mais lenha na fogueira, mesmo com o recesso parlamentar. Com isso, o cenário econômico volta a ganhar destaque e nos próximos dias poderemos ver que a deflação de junho continuou na primeira metade de julho.

Apesar disso, especialistas têm chamado muita atenção para a reunião do BCE (Banco Central Europeu) na quinta-feira (14). O encontro acontece em meio à expectativa de que, diante da melhora de atividade na zona do euro, o BC reduza os estímulos. Analistas esperam que taxas fiquem estáveis, mas uma eventual fala de Mario Draghi após encontro deve ser acompanhada com atenção.

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A queda recente dos preços dos títulos em nível global talvez tenha sido acentuada pelo aumento de juros pelo Federal Reserve em junho, mas só ganhou fôlego depois que o presidente do Banco Central Europeu afirmou que as forças reflacionárias estão vivas na Europa, alimentando especulações de que ele logo vai supervisionar a redução das compras de títulos e, em algum momento, a alta da taxa básica de juros.

Para a BlackRock, as palavras de Draghi neste momento têm mais peso do que as de sua contraparte no Fed, Janet Yellen. A Goldman Sachs Asset Management afirma que o comandante do BCE foi quem realmente motivou o recuo do mercado de títulos. Curvas de juros, contratos de swap, desempenho das moedas e posições especulativas no mercado de câmbio também corroboram a importância do BCE no movimento global de aperto monetário.

Indicadores e temporada de resultados
Um dos grandes “eventos” da próxima semana é o início da temporada de resultados corporativos do segundo trimestre, apesar de ainda contar com poucas divulgações: Weg, Localiza e Paranapanema, a partir de quarta-feira (19).

No Brasil, atenção especial para o IPCA-15, que após a deflação de junho deve mostrar uma nova queda da taxa neste início de mês. Marcado para ser divulgado na quinta-feira (20), às 9h (horário de Brasília), o indicador deve registrar queda de 0,13%, segundo compilado pela Bloomberg, ante resultado de +0,16% no mês passado.

Uma nova deflação em julho parece não ser esperada pelo BC. Ilan Goldfajn, presidente da autoridade, disse, após resultado negativo do mês passado, que a deflação em junho provavelmente não iria ficar muito tempo. Sobre os juros, afirmou que “estamos considerando o ritmo, se reduzimos um pouco por conta da incerteza das reformas ou se mantemos em função desse quadro econômico”.

Ainda saem nesta semana o IGP-10 e IPC-S (ambos segunda-feira às 8h), IPC-Fipe (quarta-feira às 5h) e contas externas de junho. Relatório de despesas e receitas deve ser divulgado na sexta-feira e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles já fala na possibilidade de liberação de recursos.

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No exterior, após um CPI abaixo do esperado corroborar com o discurso dovish da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, na próxima semana o ritmo da divulgação de indicadores cai bastante. Os únicos indicadores com maior potencial de impacto aparentemente são o Empire Manufacturing  de julho (segunda-feira às 9h30) e o de vendas de moradias novas de junho (quarta-feira às 9h30).

Com isso, entre os indicadores o destaque fica para a China, que neste fim de semana apresenta diversos dados importantes, em especial o PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre, que segundo compilado da Bloomberg deve ficar praticamente estável, em 6,8% no anualizado. Ainda serão divulgado as vendas no varejo e produção industrial. Na última semana, balança comercial chinesa mostrou tanto exportações quanto importações superiores às expectativas.

Para conferir a agenda completa de indicadores, clique aqui.