Cortes em pauta

Receitas previstas no Orçamento não tinham conexão com a realidade, diz Levy

"(Contingenciamento) era necessário porque as receitas previstas no Orçamento que foi aprovado há um mês não tinham conexão com a realidade da arrecadação", afirmou o ministro

BRASÍLIA/SÃO PAULO – O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, expressou nesta segunda-feira preocupação com a queda de arrecadação, apontando que é preciso atenção a essa questão após o governo divulgar na sexta-feira um corte de despesas de R$ 69,9 bilhões no Orçamento de 2015.

“As condições da economia brasileira mudaram. E então realmente a gente tem que olhar tudo. E uma das preocupações é sim que a arrecadação tem caído. A arrecadação, aliás, nos últimos anos, tem declinado como proporção do PIB. A receita administrada vem declinado apesar de inúmeras… medidas das mais variadas”, afirmou.

“Então a gente tem que estar atento a isso, porque são condições estruturais para o sucesso de qualquer política fiscal”, completou o ministro.

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Levy ainda afirmou que a receita prevista no Orçamento da União aprovado no mês passado não era factível com a realidade e, por isso, o contingenciamento foi necessário. “Era necessário porque as receitas previstas no Orçamento que foi aprovado há um mês não tinham conexão com a realidade da arrecadação. Como as receitas não estão nem próximas daquilo que está previsto no Orçamento aprovado no mês passado, por várias razões, faz-se necessário que, onde o governo pode, tenha cortado. Cortou-se com muita cautela, equilíbrio, na medida em que se poderia fazer, inclusive sem impor o menor risco em relação ao crescimento econômico”. 

PIB dá sinal de alerta
“Acho que o PIB vinha e deu um pequeno blipping [sinal de alerta] no quarto trimestre [do ano passado], que aliás pode ser revisto. No começo do ano, os agentes estavam em grande expectativa de retração. Então, não seria surpresa a gente ver uma situação desta”, disse ao chegar ao Ministério da Fazenda.

Para Levy, o que interessa é o que vem pela frente: os ajustes que vêm sendo feitos nas áreas fiscal e monetária. “Se a gente fizer os ajustes, tanto o fiscal, quanto outros ajustes econômicos mais profundos conseguiremos botar a economia crescendo outra vez, que é o que queremos”.

Ele destacou que, para isso, alguns elementos vêm sendo discutido há bastante tempo, como o financiamento da safra e da infraestrutura e também da área de inovação. “O Ministério do Planejamento também tem trazido algumas ideias. E é isso que a gente precisa fazer para a retomada. Precisamos entender que o momento exige que nos ajustemos a uma realidade diferente.”

(Com Reuters e Agência Brasil)