Negociações dilatadas

Rebeldes das FARC preveem aumento da violência na Colômbia

Rebeldes marxistas colombianos disseram que vão redobrar os ataques contra forças de segurança

(SÃO PAULO) – Os rebeldes marxistas colombianos disseram que vão redobrar os ataques contra forças de segurança depois de terem suspendido o cessar-fogo, pois as negociações de paz para acabar com a insurgência mais prolongada da América Latina estão se arrastando.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) atacarão mais o exército do que as instalações petrolíferas, disse um comandante guerrilheiro conhecido como Matías Aldecoa, em uma entrevista, de Havana. Oleodutos utilizados por empresas como Ecopetrol SA e Occidental Petroleum Corp. foram danificados em bombardeios das FARC nas últimas semanas.

“Em breve, as pessoas verão a guerra nesta última fase, e elas verão o número de policiais e soldados que morrem”, disse Aldecoa, no sábado, na entrevista realizada no sábado. “Para nós, os oleodutos não são o primeiro alvo”.

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As FARC suspenderam um cessar-fogo unilateral em maio depois que as forças armadas mataram pelo menos 26 guerrilheiros em um ataque no sudoeste da Colômbia. A retomada dos ataques aumentou as vítimas de ambos os lados, reduziu a produção de petróleo e provocou o vazamento de petróleo bruto para rios e mares.

Os ataques visam “afetar a economia e a confiança dos investidores no país”, disse Aldecoa.

O governo do presidente Juan Manuel Santos vem negociando a paz com as FARC desde 2012, em busca de um acordo para acabar com o conflito iniciado na década de 1960. Um motivo para a demora das negociações é que o governo insiste em que os rebeldes cumpram penas em prisão, algo que eles não vão aceitar, disse Aldecoa.

Os negociadores estão estagnados nesse ponto atual da agenda, a justiça e as reparações às vítimas, há mais de um ano.

Demora

Aldecoa, membro do órgão responsável pelas decisões das FARC, o “Estado Mayor”, disse que seus líderes não aceitarão nenhum tipo de prisão, nem sequer a prisão domiciliar em Cuba, porque isso impediria que eles participem na política.

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Por isso, é improvável que as FARC cheguem a um acordo com o governo e se tornem um partido político a tempo para as eleições de 2018, disse Aldecoa.

“Chegar a um acordo definitivo levará tempo”, disse ele. “Depois, nossa transição de organização político-militar para organização política também levará tempo”.

A formação de um partido político poderia acarretar um novo conjunto de problemas para as petroleiras.

As empresas têm contratos excessivamente generosos que deveriam ser renegociados a fim de manter uma maior proporção dos lucros na Colômbia, disse Aldecoa. O petróleo representa cerca de metade das exportações da Colômbia.

“Não estamos propondo que as multinacionais abandonem o país”, disse Aldecoa. “O que estamos considerando é o que aconteceu no Equador ou na Bolívia – uma renegociação da porcentagem dos lucros que ficam na Colômbia”.