Reajuste tarifário da Copel é positivo, mas ainda é preciso cautela, dizem analistas

JPMorgan, Citibank, Santander e Socopa creem que mudança trará lucratividade à empresa, mas esperam por decisão do Conselho

SÃO PAULO – Os analistas do JPMorgan, Santander, Citibank e da corretora Socopa acreditam que um novo reajuste nas tarifas de energia da Copel (CPLE6), assim como a mudança de governo no Paraná, devem trazer boas perspectivas ao faturamento da empresa.

No entanto, as equipes de análise preferem manter a cautela em suas projeções, aguardando a decisão final sobre a mudança de preços, que deve ser colocada em pauta na próxima reunião do conselho de administração da companhia, em 8 de julho.

Questão política traz cautela
Para a Socopa, o comunicado da Copel implica que a política de desconto será revista e, por ora, o reajuste será aplicado integralmente. “No ano passado, o órgão regulador determinou que as tarifas da Copel Distribuidora fossem reajustadas em 12,98% em média; contudo, o governo do Paraná, principal acionista, criou um mecanismo de desconto para clientes que anulava o reajuste na prática”, explica a corretora. 

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Assim, com a mudança política no estado, é possível que tal “ingerência” não se repita. “Por enquanto, o processo de sucessão foi parcialmente concluído (…) contudo, a atual gestão pode ainda manter alguns dos aspectos da anterior”, completa a Socopa. 

Os analistas Marcelo Britto e Tathiana Reis, do Citibank, também são cuidadosos em relação ao comunicado. Para eles, é preciso considerar os próximos acontecimentos políticos, a falta de detalhes no recente comunicado e a dinâmica de governança da empresa, que deve eleger um novo presidente em sua próxima reunião.

Assim, a previsão dos analistas do Citibank é de que os papéis da companhia reajam bem ao anúncio, mas a recomendação “hold” se mantém no período de 12 meses, assim como o preço-alvo de R$ 42,00. O banco também espera pelas resoluções da assembléia, assim como mudanças no governo paranaense e o fim do ciclo de faturamento semestral, para rever projeções.

Há espaço para otimismo
Já os analistas Anderson Frey e Pedro Manfredini, do JPMorgan, são menos conservadores em suas previsões. A dupla avalia o comunicado como bastante positivo para a companhia e espera mais ganhos no curto prazo. “A Coplel indicou que seu acionista controlador – o governo paranaense – ainda tem o poder de introduzir uma nova política de descontos, mas isso ainda não aconteceu, e a tarifa já está sem descontos desde o dia 24”, explicam. 

“Nós acreditamos que nossas expectativas em 2011 para a companhia agora parecem bastante conservadoras, já que esperávamos o fim do desconto na tarifa somente no meio de 2011. Além disso, continuamos a crer que o preço da ação não reflete integralmente a redução do risco político trazido por uma possível gestão do PSDB no governo do Paraná entre 2011 e 2014 – que, em nossa visão, trará melhoras na governança corporativa e, potencialmente, maiores dividendos”, afirmam os analistas do JPMorgan. O banco reiterou seu rating de overweight para a Copel.

Os analistas Márcio Prado e Maria Carolina Carneiro, do banco Santander, também são mais otimistas sobre o anúncio. Eles acreditam que a eliminação inicial do desconto irá permitir à empresa recuperar sua lucratividade – e não esperam que os descontos retornem, apesar de afirmarem que não se pode descartar essa possibilidade. Além disso, ambos esperam um cenário político mais favorável no Paraná. 

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“Temos uma visão positiva para a empresa, que é nossa opção política favorita do setor em nosso universo de cobertura”, afirmam os analistas, que reiteram a recomendação de compra para os papéis da companhia. 

Sobre o anúncio de reajuste tarifário
A Copel Energia comunicou esta semana que implantará o reajuste tarifário médio de 2,46% determinado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) em 22 de junho. No entanto, o destaque do anúncio foi a possibilidade de uma nova política de descontos, a ser discutida na próxima reunião do Conselho da Empresa.

Vale mencionar que, nas duas últimas sessões, as ações da Copel se destacaram na ponta positiva do Ibovespa, apesar dos recuos do índice. Na semana, a alta dos ativos já atinge 4,9%.