CPI tumultuada

Ratos na CPI fazem Cunha demitir servidor; veja o que aconteceu na Comissão com Vaccari

CPI da Petrobras que contou com depoimento do tesoureiro do PT começou com tumulto; Vaccari nega doações ilegais de fornecedores da Petrobras para campanha do PT

SÃO PAULO – A CPI da Petrobras (PETR3;PETR4) já começou bastante movimentado. Logo após o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, chegar hoje (9) à CPI, um homem soltou ratos no plenário. O ato causou tumulto e alguns deputados pediram o cancelamento dos trabalhos. O homem foi detido pela Polícia Legislativa e os ratos recolhidos. Vaccari iniciou o depoimento com a apresentação de power point.

Depois, se descobriu que quem soltou os ratos era um servidor comissionado, Márcio Martins de Oliveira, que era lotado na segunda vice-presidência da Câmara, controlada pelo deputado Fernando Giacobo (PR-RR).

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), determinou a exoneração do servidor da Casa. A informação foi dada no plenário pelo presidente da CPI da Petrobras,deputado Hugo Motta (PMDB-PB).

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“O presidente [da Câmara, Eduardo Cunha] já demitiu sumariamente o servidor que causou o problema no início de  nossa reunião. O servidor está demitido, e será punido na forma da lei. Vamos cobrar que providências sejam tomadas”, disse Motta.

Após o incidente, o relator da CPI da Petrobras, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), disse que o episódio foi uma “ação encomendada” e um “circo armado” que depõe contra o Parlamento brasileiro.

O episódio gerou discussão entre os deputados Jorge Solla (PT-BA) e Delegado Waldir (PSDB-GO), que foi acusado por Solla de envolvimento no episódio. “Você tem que provar!”, respondeu o deputado.

Enfim, o depoimento…
Em depoimento, o tesoureiro 
negou que tenha intermediado doações ilegais em contratos de fornecedores da Petrobras para financiar campanhas do partido. Vaccari reafirmou que todas as doações que o partido recebe são legais, feitas por transações bancárias e com prestação de contas ao Superior Tribunal Eleitoral (TSE).

“Durante o período em que estou na tesouraria, sempre que fiz visitas a empresas ou pessoas físicas que fizeram doações, elas foram feitas de forma voluntária, sem nenhum outro compromisso. Essa tem sido nossa forma de fazer a arrecadação do PT. Prestamos conta dessa arrecadação ao TSE e nunca tivemos problemas com a [Secretaria da] Receita [Federal]”, disse Vaccari aos parlamentares.

Antes de os deputados iniciarem as perguntas, Vaccari apresentou dados que, segundo ele, mostram que, nas duas últimas eleições, a distribuição de doações de empresas investigadas pela Operação Lava Jato ficou equilibrada entre PT, PMDB e PSDB.

Vaccari negou que tenha tratado de doação de recursos com executivos da Petrobras e com o doleiro Alberto Yousseff, principal delator do esquema de corrupção. O tesoureiro disse que não conversou com o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque sobre finanças do PT ou qualquer outro assunto que envolva recursos financeiros.

Em resposta a parlamentares, Vaccari repetiu que não são verdadeiras as declarações que o ex-gerente da Diretoria de Serviços da Petrobras Pedro Barusco fez a seu respeito na delação premiada. Ele negou também ter tratado com Barusco de assunto relacionado a finanças. “Minha relação com ele sempre foi casual e sem nenhuma intimidade”.

Sobre o doleiro Alberto Yousseff, Vaccari disse que o conheceu casualmente, há muitos anos, e que não teve qualquer tipo de negociação financeira com ele.

Vaccari é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, com base em depoimentos de delatores da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Eles afirmam que o tesoureiro intermediou doações de propina em contratos com fornecedores da Petrobras e que o dinheiro foi usado para financiar campanhas políticas.

Cunhada pode ser convocada
A CPI da Petrobras deve convocar Marice Correia de Lima, cunhada do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, para depor na comissão. Documento apresentado pela deputada Eliziane Gama (PPS-MA) mostra que a cunhada de Vaccari foi a Milão, na Itália, em 2012, e ao Panamá, em 2013.

Marice também é investigada pela Operação Lava Jato. A Polícia Federal apreendeu documentos que registram o pagamento de R$ 244,2 mil da empreiteira OAS para ela.

Eliziane Gama perguntou a Vaccari se a viagem da cunhada a Milão e ao Panamá tinha relação com o transporte de valores para o exterior. E citou depoimento do ex-gerente de Tecnologia da Petrobras Pedro Barusco que disse ter aberto conta em um banco em Milão para receber propina. Ele disse em depoimento, porém, que Vaccari não o acompanhou na viagem.

“Minha relação com minha cunhada é estritamente familiar. Ela trabalha em uma organização internacional e faz viagens constantes”, respondeu o tesoureiro do PT. “O senhor continua afirmando então que é inocente?”, insistiu a deputada. “Os termos das delações premiadas, no que se referem a minha pessoa, não são verdadeiros”, disse.

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O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), um dos sub-relatores da CPI, disse que vai pedir a convocação de Marice.

(Com Agência Câmara e Agência Brasil)