Análise

Raiz do problema da greve está no monopólio estatal, diz Persio Arida

Ex-presidente do Banco Central avaliou problema da falta de empresas privadas no setor de refino no Brasil

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SÃO PAULO – A raiz da atual crise dos combustíveis, gerada pela greve dos caminhoneiros, está no monopólio estatal nas refinarias, afirma o economista e ex-presidente do Banco Central, Persio Arida. Durante o último painel WW, apresentado por William Waack, ele explicou que a privatização poderia ser a solução de muitos destes problemas.

“O que acontece hoje é que o Brasil quebrou o monopólio estatal e tem a iniciativa privada no pré-sal. Se não fosse pela iniciativa privada nós não teríamos o sucesso extraordinário que tivemos na extração de petróleo, mas o refino continua estatal”, diz o economista.

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“Se tivesse privatizado o refino, e da forma correta, teríamos várias refinarias privadas. Uma repassaria o preço inteiramente, a outra um pouco menos para ganhar mercado”, explica ele destacando o fenômeno de concorrência que ajudaria em uma variação de preços que fosse melhor para o consumidor.

“A rigor você teria uma agência reguladora, a ANP, mas ela está capturada pela Petrobras, então ela não limita a Petrobras, que está fazendo o melhor que cabe a ela como companhia fazer, em respeito aos seus acionistas”, continua Persio. “O problema, na raiz, é que não privatizou o refino e tem uma agência reguladora que não funciona”, conclui.

O ex-presidente do BC lembra ainda que já morou no exterior muitos anos e que lá “é inconcebível que alguém bloqueie estradas”. “O Brasil é complacente, e não é só com os caminhoneiros, o MST bloqueando estradas, queimando pneus. Isso é uma complacência inadmissível”, afirma. “É um direito individual de cada um. Não importa quem seja, se é justo ou não. Não pode bloquear estradas”, completa Persio.

Confira a análise de Persio Arida: