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Radar Político: Lava Jato perdeu o timing para prender Lula, diz delegado; veja mais notícias

Discussão entre ex-ministro da Justiça e Rodrigo Janot é tornada pública; pressão de Cunha para delatar e mais notícias da política do final de semana

SÃO PAULO – Mesmo com o recesso parlamentar, o noticiário político foi movimentado no último final de semana. Os desdobramentos da Operação Cui Bono? com uma possível delação de Eduardo Cunha estão no radar, além da entrevista do delegado da Lava Jato para a Veja e a possível troca de nome pela Odebrecht. Confira o que foi notícia na política no último final de semana: 

Timing para prisão de Lula
Em entrevista polêmica à revista Veja no último final de semana, o delegado Mauricio Moscardi Grillo, coordenador da operação “Lava Jato” na Polícia Federal, afirmou que os investigadores tinham provas, áudios e indícios que poderiam caracterizar tentativa de obstrução da Justiça por parte do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Contudo, hoje, “os elementos que justificariam um pedido de prisão preventiva não são tão evidentes”. Assim, segundo o delegado, a operação perdeu o “timing” para prender Lula.

O delegado ainda disse que a PF errou ao ter levado o petista para depor no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em março do ano passado. Isso porque acabou permitindo ao ex-presidente passar uma imagem de vítima.

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Em nota, a defesa do ex-presidente reagiu às declarações de Grillo. “A entrevista é luminosa ao reconhecer que a Lava Jato trabalha com ‘timing’ ou sentido de oportunidade em relação a Lula, evidenciando a natureza eminentemente política da operação no que diz respeito ao ex-Presidente. É o ‘lawfare’, como uso da lei e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política, exposto reiteradamente pela defesa de Lula, agora afirmado, de modo indireto, pelo próprio coordenador da Lava Jato na Policia Federal”, diz a nota dos advogados.

Odebrecht pode mudar de nome
Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, a Odebrecht, que passa pela sua mais grave crise em 72 anos, tem dois ou três planos para tentar superar essa fase, que inclui a troca do nome do grupo, a redução dos negócios em até 60% e a disseminação da ideia de que errou ao subornar políticos, mas mantém a excelência técnica. A troca de nome é o mais polêmico pelos riscos embutidos, destaca o jornal. 

 Cármen Lúcia causa cíume
A Folha também aponta que o protagonismo da presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, na negociação da dívida do Rio de Janeiro e na crise dos presídios tem criado um desconforto tanto no governo Michel Temer como entre colegas dela do Judiciário. Assessores do governo apontam que a presidente do Supremo possui um perfil centralizador e de gestão executiva. 

Por trás da insatisfação do Planalto, há um receio em relação à projeção da ministra. “Nas palavras de um aliado de Temer, o governo sempre a viu com desconfiança porque parte da opinião pública a considera uma alternativa caso o peemedebista perca o mandato no processo de cassação da chapa de 2014 no TSE (Tribunal Superior Eleitoral)”, afirma o jornal. O julgamento sobre a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer deve ocorrer já neste semestre.

Discussão entre Janot e Aragão
O jornal O Estado de S. Paulo do último domingo revelou uma discussão entre os “antes amigos”  procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o subprocurador-geral e ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão. 

Quando Aragão havia deixado do Ministério da Justiça em meio ao impeachment de Dilma, ele voltou à Procuradoria-Geral da República, onde entrou em 1987.

Janot questionou se Aragão gostaria de assumir a 6.ª Câmara do Ministério Público Federal (MPF). Aragão respondeu: “Não gostaria […] Teria de lidar com o novo ministro da Justiça (Alexandre de Moraes, de Michel Temer), com quem eu não tenho uma relação de confiança”. E completou: “não estou interessado em cargos”. Em meio à discussão, Janot questionou a Aragão se o ex-ministro o achava seletivo, recebendo resposta afirmativa. O PGR então afirmou: “você vai para a p… que o pariu… Você acha que esse” (ex-presidente) Lula é um santo? Ele é bandido, igual a todos os outros…”

Pressão para Cunha delatar
A Operação Cui Bono? deflagrada na última sexta-feira aumentou a pressão no meio político. Segundo a Folha, a operação ampliou a pressão para que o ex-presidente da Câmara dos Deputados fala delação premiada.

A avaliação corrente entre políticos é que agora que a PF tem tantos detalhes em mãos –as informações apreendidas revelam pormenores de conversas sobre aprovações de crédito em bancos públicos e votações de projetos na Câmara–, o ex-deputado se apressará em apresentar um roteiro de delação, para não se tornar uma peça desnecessária com o avanço das investigações. Um parlamentar próximo ao peemedebista disse à Folha que, se “ele fizer o que disse que ia fazer, vai sobrar pouco da República”.