Radar: comece o pregão sabendo as novidades do cenário corporativo

Discussões em Brasília sobre capitalização da Petrobras são destaque, mas noticiário também traz resultados e novo IPO à vista

SÃO PAULO – Frente a resultados corporativos abaixo do esperado e à grande apreensão em torno da agenda econômica norte-americana, as bolsas europeias e os negócios futuros em Wall Street figuram no negativo na manhã desta quinta-feira (4).

A Anheuser-Busch InBev reportou um lucro líquido de US$ 3,11 bilhões no quarto trimestre de 2009, abaixo das projeções do mercado de US$ 3,35 bilhões. Se os números no âmbito corporativos não são muito animadores, no campo econômico, o que se observa não é muito diferente.

A economia da Zona do Euro avançou 0,1% nos três últimos meses de 2009, marcando uma retração anual de 2,1%. A maior preocupação do mercado vem dos investimentos, que no setor privado caíram 0,8% frente ao terceiro trimestre.

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Nos EUA, indicadores de peso também aguardam os investidores. Estão agendados para esta quinta-feira dados sobre o desempenho da indústria, a produtividade da mão-de-obra norte-americana, o volume de pedidos de auxílio-desemprego e sobre o mercado imobiliário.

Olho em Brasília
Por aqui, o foco de muitos segue voltado à capital brasileira, onde esquentam as discussões sobre a possibilidade de uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) na capitalização da Petrobras (PETR4, PETR3), aprovada na noite passada pela Câmara dos Deputados, embora apenas para aqueles que já são acionistas da petrolífera.

A medida permite que os cotistas da empresa usem até 30% do saldo de suas contas individuais para subscrever novas ações. No entanto, o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou que a proposta deverá ser barrada no Senado. “Se passar, vamos tentar derrubar no Senado”, havia dito o ministro já antes da votação entre os deputados.

O governo é contra a utilização do FGTS no plano de capitalização da Petrobras, pois não quer deslocar recursos da habitação e de outras aplicações do fundo, como saneamento básico.

Resultados
Embora ocupe o posto de destaque, a Petrobras não é a única referência do noticiário corporativo brasileiro, que segue tomado por um intenso fluxo de divulgação de resultados trimestrais, como os da AmBev (AMBV4).

A companhia somou um lucro líquido de R$ 1,79 bilhão no quarto trimestre do ano passado, o que representa um avanço de 5,3% em relação os ganhos vistos no mesmo período do ano de 2008. A receita líquida também trilhou trajetória ascendente, ao subir 6,5% na comparação anual e somar R$ 6,77 bilhões.

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A SLC Agrícola (SLCE3) também revelou ao mercado seu desempenho obtido nos três últimos meses de 2009, quando contabilizou ganhos líquidos de R$ 11 milhões. No mesmo período de 2008, a companhia havia amargado um prejuízo de R$ 19,8 milhões.

Resultados – small caps
Outras empresas de menor porte também divulgaram seus resultados. A Randon Participações (RAPT4) é uma delas, tendo reportado uma retração de 39,9% em seu lucro líquido frente ao último trimestre de 2008. Segundo a companhia, o desempenho negativo deve-se à forte retração da demanda externa com a crise.

A Ferbasa (FESA3) também não viu incremento em seus ganhos na comparação com 2008. Em seu resultado referente ao acumulado do ano passado, a companhia somou um lucro líquido de R$ 35,63 milhões, cifra significativamente menor que os R$ 336,08 milhões conquistados no ano anterior.

Novo IPO à vista
Por fim, aos que gostam de apostar em novos papéis na bolsa têm mais uma oportunidade a se atentar: o IPO (Initial Public Offering) da Sonae Sierra Brasil, que entrou nesta semana com pedido junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) de abertura de seu capital na bolsa. Se aprovada, a distribuição de ações ordinárias será constituída de ofertas de varejo e institucional.