Questão fiscal no governo Dilma é principal vetor para ações, diz Goldman Sachs

Banco vê continuidade do rali na bolsa brasileira, com Ibovespa fechando 2010 aos 78 mil pontos, mas risco político permanece

SÃO PAULO – O Goldman Sachs acredita na continuidade do recente rali no Ibovespa, que se aproxima de seu maior patamar histórico, de 73.516 pontos, registrados em 20 de maio de 2008. Para o analista Stephen Grahan, esse movimento reforça a projeção do banco de que o índice fechará 2010 aos 78 mil pontos, conforme divulgado em setembro último.

Além disso, Grahan também segue confiante na análise do Goldman em outubro, quando a instituição optou por recomendar uma menor exposição ao setor de consumo e varejo, elevando o peso de investimentos em ativos ligados à commodities, bancos ou companhias do setor imobiliário.

Isso porque, o programa de compra de US$ 600 bilhões em títulos da economia norte-americana, anunciado recentemente pelo Federal Reserve, continuará dando suporte aos preços das ações e das commodities por aqui, segundo Grahan. O analista acredita ainda que a oferta restrita de certos tipos de commodities em meio à elevada demanda global também contribuirá para a performance positiva da bolsa interna nas próximas semanas.

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Outro ponto que sustenta o otimismo de Grahan em relação ao mercado brasileiro é a “remoção de obstáculos técnicos”, os quais o analista traduz na conclusão do processo eleitoral no País, assim como no fim da capitalização da Petrobras (PETR3, PETR4) e no cenário de estabilização da taxa básica de juros nacional.

Governo Dilma e a questão fiscal
Na análise do Goldman, contudo, a questão fiscal no governo de Dilma Rousseff (PT), a partir de 2011, é o principal risco a esta projeção positiva à bolsa brasileira. “Se os investidores tiverem uma certeza que o déficit fiscal ficará em 3,3% do PIB (Produto Interno Bruto), nós achamos que as ações deverão ter um forte rali”, disse Grahan.

O analista explica que este nível de déficit implica em expectativas de inflação sob controle e, por consequência, em uma necessidade menor de mudanças na política monetária a fim de controlar o aumento nos preços do País. “Isso tiraria alguma pressão da taxa de câmbio e da balança comercial, reduzindo o medo de futuras vulnerabilidades e de novos impostos ou medidas para frear os investimentos em ações”, avaliou.

Por outro lado, o Goldman revela que uma falha nesta permanência do déficit fiscal em 3,3% do PIB no próximo governo poderia pressionar os preços e a taxa Selic, entrando em um ciclo onde “a solução para cada problema exacerba outro”.

Visão segue positiva, por enquanto
“Houve alguns comentários específicos da presidente eleita Dilma Rousseff acerca de metas fiscais. O evento mais importante que está por vir é a decisão sobre os membros da equipe econômica do próximo governo. Apesar da variedade de nomes, nós achamos que a maioria deles será aceita pelo mercado, e acreditamos que os nomeados farão a coisa certa na política fiscal. Isto sugere que a resolução dos ministérios por si só poderá ajudar a manter o rali no mercado em curso”, completou Grahan.