Cinema

“Queríamos fazer um Wall Street brasileiro”, diz produtor de filme sobre o Plano Real

"Não queríamos polarizar e nem criar a atmosfera ingênua do Facebook", disse o diretor do filme em coletiva em São Paulo

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SÃO PAULO – Em um momento político e econômico tão complicado no País, a estreia do filme “Real – O Plano por trás da História” parece ter sido calculada pelos produtores do longa, mas parece ter sido apenas coincidência. Isso segundo o produtor Ricardo Fadel Rihan, que reforçou nesta quarta-feira (17) em evento em São Paulo, que a ideia era levar um longa que mostrasse os dois lados do maior plano econômico do Brasil.

Apesar da grande dificuldade de fazer isso, o filme realmente mostra sua intenção de tentar não exaltar nem denegrir os partidos que fazem parte da história. Mesmo assim, em certos diálogos do longa se torna inevitável acompanhar a discussão sem pensar no cenário atual e tudo que o País passou nos últimos anos. É o caso da primeira cena do filme, onde Gustavo Franco (Emílio Orciollo Netto) discute com um colega, que defende que Lula será “o melhor presidente que o Brasil já teve”.

Rodrigo Bittencourt, diretor do filme, explicou que a ideia era mostrar algo “equivalente”, apresentando os dois lados desta história. “Não queríamos polarizar e nem criar a atmosfera ingênua do Facebook”, disse em coletiva após a exibição do longa para a imprensa. Mesmo assim, ele não esconde suas boas memórias da época. “Quando o real entrou em vigor, para mim, não foi um plano econômico. Foi um plano social”, conta.

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Já Netto explicou que concorda tanto com a ideia de dois lados do filme que aceitou interpretar um personagem com ideias opostas às suas. “Politicamente eu penso o oposto [de Franco], mas não é porque eu faço um bandido que sou um bandido, ou porque faço um herói que sou herói”, afirmou.

Rihan disse ainda que o desafio era transformar uma narrativa econômica em uma linguagem cinematográfica focada nos jovens. “Uma coisa eu sempre falei, desde o início do projeto, eu queria que fosse algo para os jovens, para a geração que não viveu isso e hoje não sabe o que aconteceu”, explicou.

A ideia, conta o produtor, não era nem essa inicialmente. “Queria fazer um ‘Wall Street’ brasileiro”, contou lembrando o icônico filme de 1987 estrelado por Michael Douglas. O projeto mudou quando ele leu o livro “3.000 dias no Bunker”, de Guilherme Fiúza, e decidiu fazer um thriller político sobre o Plano Real. O longa estreia em todo o Brasil na próxima quinta-feira (25).

Confira o trailer do filme: