Quem ganha e quem perde com a vitória democrata nas eleições norte-americanas?

Mercado mostra certa apreensão com o resultado do pleito, mas não são todos os setores que devem ser prejudicados

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SÃO PAULO – A derrota do partido republicano nas eleições parlamentares norte-americanas gerou um certo desconforto no mercado financeiro nesta semana. Isso porque as aspirações daqueles que retomaram o controle da Câmara dos Deputados e do Senado dos EUA parecem menos alinhadas com os interesses dos investidores, dado o seu viés mais regulador.

No entanto, considerar que o mercado como um todo saiu perdendo com a vitória dos democratas seria ingenuidade. Embora ainda seja bastante cedo para delinear eventuais mudanças para o panorama setorial, analistas já especulam quais seriam os eventuais perdedores e ganhadores do resultado do pleito.

Beneficiados

Entre os apontados como possíveis favorecidos, aparece o setor de biotecnologia. Isso porque os democratas têm uma maior inclinação à aprovação das pesquisas com células-tronco em nível federal.

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Analistas comentam também que os efeitos da “bolha imobiliária” poderiam ser amenizados, pois os opositores ao governo Bush demonstram preocupação em ampliar o acesso à propriedade de moradia nos EUA.

Por fim, o segmento de fontes alternativas de energia seria um terceiro a figurar entre os ganhadores. Há uma grande expectativa de que os novos comandantes do Senado e da Câmara ampliarão os incentivos concedidos ao ramo e os fundos de financiamento para desenvolver outras opções que não as relacionadas a combustíveis fósseis.

Prejudicados

Em contrapartida, o setor farmacêutico desponta como um dos potenciais prejudicados pela vitória democrata, que vem sistematicamente criticando a atual política pública ligada à saúde, flertando com preços mais baixos para os remédios.

O nicho de defesa também poderia sofrer, dada a postura menos belicista dos democratas vis-à-vis os republicanos. A perspectiva de menores dispêndios com a segunda Guerra do Golfo é grande.

E com lucros recordes nos últimos anos, as petrolíferas tendem a enfrentar dias menos agradáveis à frente, em virtude da possibilidade de uma maior taxação sobre elas e de redução dos incentivos financeiros.