Análise estrangeira

Quem está ganhando com a desilusão brasileira (e os seus efeitos para 2018), segundo a imprensa internacional

Além do aumento da direita, imprensa internacional destaca possíveis tendências para eleições de 2018

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SÃO PAULO – Já há algum tempo, a imprensa internacional questiona a apatia e o cansaço do Brasil em meio a tantos escândalos de corrupção, com diversas matérias tratando sobre o assunto (veja mais clicando aqui). Na semana passada por exemplo, o editor da revista americana “Americas Quaterly”, Brian Winter, destacou algumas hipóteses para o “cansaço” e ressaltou as possíveis consequências desse momento que o país vive, principalmente para as eleições de 2018. 

Ele apontou que, em um cenário de desilusão política, há apenas um político está sendo assediado em aeroportos e cujos adeptos falam com convicção e um fervor quase religioso: Jair Bolsonaro, que vem registrando um forte crescimento nas pesquisas. “A mensagem de Bolsonaro? Que todos os políticos civis são corruptos, que o crime está fora de controle e que só um estrito estado de lei e ordem pode salvar o País”, ressalta, afirmando que 2018 reservaria fortes emoções para o Brasil. 

Na mesma linha, o jornal britânico The Guardian apontou nesta semana os efeitos da desilusão política no Brasil. Segundo a publicação, esse cenário de desalento levou a população a ir ao encontro com propostas políticas liberais, evangélicas e de populistas de direita.

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De acordo com a publicação, o PT aproveitou 13 anos no topo, governando o País por todo esse período. Contudo, “a recessão, o crime e o desencanto geral levaram muitos brasileiros a se voltar à direita”, diz o jornal. Assim como a Americas Quaterly, o The Guardian cita Bolsonaro, mas aponta para um movimento ainda maior do que ele. Isso porque, se antes era quase inadmissível uma pessoa se posicionar como de direita no Brasil, essa situação parece ter mudado consideravelmente. 

Além do “efeito-Bolsonaro”, a publicação cita os efeitos do crescimento da direita no pleito do ano passado, citando a eleição de Fernando Holiday, do MBL, para a Câmara dos Vereadores de São Paulo. No mesmo pleito, João Doria, classificado pelo jornal como um empresário conservador, teve uma vitória sem precedentes no primeiro turno para a prefeitura de São Paulo. enquanto Marcelo Crivella, pastor evangélico, foi eleito prefeito do Rio de Janeiro. 

Novos nomes ganham forças em um ambiente político deteriorado e levam a um cenário de cautela para o País em 2018, conforme tem ressaltado o The New York Times em suas últimas análises sobre política brasileira. Se por um lado, o trabalho contra a corrupção sugere que os esforços tardios estão funcionando, por outro esses traumas políticos podem trazer consequências inesperadas, diz o jornal. “Analistas veem paralelos preocupantes com a Itália logo antes da ascensão de Silvio Berlusconi, ou mesmo a Venezuela antes de Hugo Chávez”, destacou a publicação americana em meados de julho. 

“Eu realmente me preocupo em limpar todo o sistema, porque vai desmoronar”, disse Ken Roberts, cientista político da Cornell, para o jornal. “Eu realmente tenho medo de quem será o Berlusconi brasileiro”.