Quem é Robson Rodovalho, o bispo indicado por Bolsonaro para assistência na prisão

Fundador da Sara Nossa Terra, bispo tem histórico político e influência no meio evangélico

Agência O Globo

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o recebimento de assistência religiosa na prisão. O nome indicado pela defesa do ex-mandatário condenado pela trama golpista é o do bispo Robson Rodovalho, da igreja Sara Nossa Terra. O pedido ainda é analisado pelo STF.

Rodovalho disse ao GLOBO que aguarda decisão de Moraes e que é amigo do ex-presidente há mais de 25 anos. O bispo foi deputado federal de 2007 até 2011, período em que foi colega do ex-presidente no parlamento. Nas eleições presidenciais que participou, Bolsonaro recebeu o apoio de Rodovalho.

Fundador da Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, da Rede Gênesis de Televisão, da Rede Sara Brasil FM e também do Conselho de Bispos e Pastores do Brasil (Concepab), Rodovalho tem formação em Física, com PHD em ensino de física quântica e espiritualidade pela Florida Christian University, segundo informa em seu site pessoal.


O bispo descreve a si mesmo, também em sua página oficial na internet, como uma pessoa que “tem uma influência significativa nos campos da política, música, literatura, liderança e espiritualidade”.

Honrado com a indicação

Em entrevista ao GLOBO, Rodovalho destacou a relação pessoal de longa data com Bolsonaro e disse ter recebido a indicação com “honra”.

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— Bolsonaro é gente querida, amada, que tem muito carinho com a gente. Somos amigos há mais de 25 anos, desde quando fomos deputados juntos — afirmou o bispo, ao comentar a possibilidade de acompanhar espiritualmente o ex-presidente.

As declarações foram dadas após o ministro Alexandre de Moraes determinar que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre pedidos apresentados pela defesa de Bolsonaro para remição de pena por leitura, acesso a uma televisão na cela e autorização para assistência religiosa regular. O prazo concedido à PGR é de cinco dias.

Segundo Rodovalho, até o momento não houve contato direto para tratar da logística da eventual assistência, e qualquer iniciativa depende de autorização judicial.

— Ainda não fui procurado pela defesa ou pela família do ex-presidente. Tenho muita liberdade para isso, mas estou respeitando as regras e diretrizes. Estamos orando muito por ele — disse.

Rodovalho disse ter se sentido honrado com a indicação e ressaltou que mantém vínculo pessoal com Bolsonaro desde o período em que ambos atuaram no Congresso.

De leituras bíblicas à meditação

O bispo explicou que a assistência espiritual não segue um modelo rígido e costuma ser adaptada às condições emocionais e físicas da pessoa assistida. Segundo ele, o trabalho envolve práticas religiosas voltadas ao fortalecimento interior.

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— A gente monta um programa de leituras bíblicas, orações. Depende muito da situação. O objetivo é levantar a força interior da pessoa, fortalecer emoção, mente e coração. Vai depender muito do aspecto emocional e físico em que ele se encontra. É um trabalho bem ligado à fé — afirmou.

Rodovalho acrescentou que, conforme o perfil da pessoa acompanhada, a música também pode ser utilizada como ferramenta de apoio espiritual.

— Tem pessoas que gostam muito de música, aí ministramos pela música. Outras preferem a palavra, então fazemos a leitura e a meditação conjunta para fortalecer. Temos que trabalhar a fé — disse.

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O bispo afirmou ainda que mantém contato com familiares do ex-presidente. Segundo ele, houve troca recente de mensagens com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O pedido de assistência religiosa integra um conjunto de solicitações feitas pela defesa de Bolsonaro ao STF. Além do acompanhamento espiritual, os advogados requereram a inclusão do ex-presidente no programa de remição de pena pela leitura, previsto na Lei de Execução Penal e regulamentado por resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Pelas regras, cada obra lida e avaliada pode resultar na redução de quatro dias da pena, mediante apresentação de relatório escrito e homologação judicial.

A defesa também pediu autorização para que Bolsonaro tenha acesso a uma Smart TV na cela, com o argumento de que o aparelho permitiria o acompanhamento de conteúdos jornalísticos.