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A Polícia Civil de Santa Catarina prendeu na última terça-feira, 6, um empresário do ramo de turismo esportivo pela prática de estelionato contra uma série de clientes.
A prisão de Fernando Sampaio de Souza e Silva, dono da Outsider Tours, ocorreu após uma sequência de investigações que se arrasta há anos e envolve centenas de denúncias por pacotes de viagens não entregues.
A ordem judicial está ligada a acusações de estelionato envolvendo a venda de pacotes turísticos que, segundo as apurações, nunca foram cumpridos conforme o contrato firmado com os clientes.
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A detenção ocorre após anos de acúmulo de denúncias contra Sampaio e suas empresas. Levantamentos judiciais apontam a existência de centenas de processos e registros de ocorrência em ao menos 21 estados e no Distrito Federal, com reclamações que se estendem desde 2022 e, em alguns casos, remontam a episódios anteriores.
Em novembro do ano passado, o número de ações e ocorrências já ultrapassava 600, enquanto, em 2025, a Polícia Civil do Rio de Janeiro indiciou o empresário duas vezes pelo crime de estelionato.
O primeiro episódio de grande repercussão nacional ocorreu em 2022, quando a Outsider anunciou o fretamento de aeronaves para levar torcedores do Flamengo à final da Copa Libertadores, em Guayaquil. Parte dos clientes que havia pago pelos pacotes não conseguiu embarcar, o que gerou confusão em aeroportos do Rio de Janeiro e impulsionou uma onda de novas queixas.
Desde então, relatos semelhantes passaram a se multiplicar, envolvendo viagens para grandes eventos esportivos no Brasil e no exterior.
As apurações conduzidas por autoridades policiais e judiciais, com base em informações divulgadas pelo G1 e pela TV Globo, indicam um padrão de atuação atribuído à gestão de Sampaio. Entre os pontos levantados estão a oferta de pacotes com valores abaixo do mercado, a entrega parcial de serviços para deslocar disputas à esfera cível e dificuldades recorrentes para localizar bens em nome do empresário após decisões judiciais favoráveis aos consumidores.
Investigadores também apontam o uso de CNPJs de terceiros e empresas ligadas a pessoas próximas para continuar recebendo pagamentos, o que teria dificultado bloqueios e ressarcimentos.
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As consequências jurídicas incluem processos de alto valor em diferentes estados. Em São Paulo, uma empresa de turismo moveu ação de R$ 1,2 milhão relacionada a pacotes para a final da Champions League de 2023, em Istambul, alegando que os vouchers não foram entregues após o pagamento. Já na Bahia, uma ação que inicialmente cobrava R$ 3,6 milhões foi elevada para R$ 5,9 milhões após suposto descumprimento de um acordo de parcelamento firmado com a Outsider. Em ambos os casos, as petições relatam dificuldades para localizar o empresário para citações formais.
Em entrevistas concedidas ao longo de 2025, Fernando Sampaio negou agir de forma fraudulenta e afirmou estar empenhado em resolver os casos pendentes. Segundo ele, mais de R$ 2 milhões já teriam sido reembolsados a clientes, o que, em sua avaliação, demonstraria “boa-fé” e intenção de regularizar as pendências.
O empresário também argumenta que não acumulou patrimônio com as operações e que sua situação financeira se deteriorou após os episódios mais graves registrados a partir de 2022.
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