Quem é Fernando Sampaio, dono da Outsider Tours, preso em Santa Catarina

Empresário foi detido em SC após investigações por estelionato que se acumulam desde 2022 em ao menos 21 estados

Marina Verenicz

Fernando Sampaio, sócio da Outsider Turismo Ltda, alvo de ações judiciais em vários estados do país — Foto: Reprodução/Facebook
Fernando Sampaio, sócio da Outsider Turismo Ltda, alvo de ações judiciais em vários estados do país — Foto: Reprodução/Facebook

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A Polícia Civil de Santa Catarina prendeu na última terça-feira, 6, um empresário do ramo de turismo esportivo pela prática de estelionato contra uma série de clientes. 

A prisão de Fernando Sampaio de Souza e Silva, dono da Outsider Tours, ocorreu após uma sequência de investigações que se arrasta há anos e envolve centenas de denúncias por pacotes de viagens não entregues.

A ordem judicial está ligada a acusações de estelionato envolvendo a venda de pacotes turísticos que, segundo as apurações, nunca foram cumpridos conforme o contrato firmado com os clientes.

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A detenção ocorre após anos de acúmulo de denúncias contra Sampaio e suas empresas. Levantamentos judiciais apontam a existência de centenas de processos e registros de ocorrência em ao menos 21 estados e no Distrito Federal, com reclamações que se estendem desde 2022 e, em alguns casos, remontam a episódios anteriores.

Em novembro do ano passado, o número de ações e ocorrências já ultrapassava 600, enquanto, em 2025, a Polícia Civil do Rio de Janeiro indiciou o empresário duas vezes pelo crime de estelionato.

O primeiro episódio de grande repercussão nacional ocorreu em 2022, quando a Outsider anunciou o fretamento de aeronaves para levar torcedores do Flamengo à final da Copa Libertadores, em Guayaquil. Parte dos clientes que havia pago pelos pacotes não conseguiu embarcar, o que gerou confusão em aeroportos do Rio de Janeiro e impulsionou uma onda de novas queixas.

Desde então, relatos semelhantes passaram a se multiplicar, envolvendo viagens para grandes eventos esportivos no Brasil e no exterior.

As apurações conduzidas por autoridades policiais e judiciais, com base em informações divulgadas pelo G1 e pela TV Globo, indicam um padrão de atuação atribuído à gestão de Sampaio. Entre os pontos levantados estão a oferta de pacotes com valores abaixo do mercado, a entrega parcial de serviços para deslocar disputas à esfera cível e dificuldades recorrentes para localizar bens em nome do empresário após decisões judiciais favoráveis aos consumidores.

Investigadores também apontam o uso de CNPJs de terceiros e empresas ligadas a pessoas próximas para continuar recebendo pagamentos, o que teria dificultado bloqueios e ressarcimentos.

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As consequências jurídicas incluem processos de alto valor em diferentes estados. Em São Paulo, uma empresa de turismo moveu ação de R$ 1,2 milhão relacionada a pacotes para a final da Champions League de 2023, em Istambul, alegando que os vouchers não foram entregues após o pagamento. Já na Bahia, uma ação que inicialmente cobrava R$ 3,6 milhões foi elevada para R$ 5,9 milhões após suposto descumprimento de um acordo de parcelamento firmado com a Outsider. Em ambos os casos, as petições relatam dificuldades para localizar o empresário para citações formais.

Em entrevistas concedidas ao longo de 2025, Fernando Sampaio negou agir de forma fraudulenta e afirmou estar empenhado em resolver os casos pendentes. Segundo ele, mais de R$ 2 milhões já teriam sido reembolsados a clientes, o que, em sua avaliação, demonstraria “boa-fé” e intenção de regularizar as pendências.

O empresário também argumenta que não acumulou patrimônio com as operações e que sua situação financeira se deteriorou após os episódios mais graves registrados a partir de 2022.

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