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SÃO PAULO – Quem olha os indicadores econômicos do Brasil e o cenário externo recente não entende porque a Bovespa não tem conseguido registrar um bom desempenho, como no mês passado, quando o Ibovespa recuou 0,62%. A razão para isso está na crise política pela qual o país atravessa. Mas você entende porque o cenário político afeta dessa maneira o desempenho das ações?
Existem pelo menos dois motivos que fazem com que crises políticas prejudiquem a bolsa de valores: o atraso na aprovação de reformas importantes para o país e a menor disposição dos agentes em investir no setor produtivo. Isso sem falar da fuga de recursos estrangeiros, que, geralmente, ocorre em tempos de instabilidade.
Redução dos investimentos: efeito mais tarde
Os agentes acabam reduzindo seus investimentos, dadas as dificuldades para prever o cenário futuro. Aqueles investimentos que dependem da capacidade do governo se organizar são os que são abandonados mais rapidamente, como, por exemplo, no setor elétrico, cuja implementação do Novo Modelo ainda não foi concluída.
Mesmo investimentos que não dependem do marco regulatório são prejudicados, graças ao questionamento da continuidade política e econômica. Nesse ponto, é importante destacar que a suspensão de investimentos agora, ainda que não traga maiores efeitos no curto prazo, certamente irá se refletir na falta de capacidade instalada mais adiante. Projetos de expansão, por exemplo, devem ser postergados.
Crises podem afetar o risco país
Para a Fator Corretora, em relatório de perspectivas para julho, existe a possibilidade da crise afetar o risco Brasil e desencadear uma onda de correção negativa dos diferentes ativos. Isso poderia ocorrer, segundo os analistas da corretora, caso os escândalos chegassem mais perto da Presidência e/ou do Ministério da Fazenda.
Não se sabe como o governo se comportaria em um ambiente de forte pressão política, se alteraria ou não os rumos da política monetária. Uma sinalização muito ruim, ainda segundo a Fator, seria ceder às pressões das entidades organizadas, ou seja, o governo deveria evitar atitudes populistas, que aumentariam seus gastos.
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Investidores migram para aplicações de menor risco
Nesse cenário de instabilidade política, os investidores brasileiros abandonam suas aplicações em ações e migram para investimentos mais seguros, como os de renda fixa. Já os investidores estrangeiros muitas vezes retiram seus recursos do país e aplicam em outros mercados, menos incertos. E eles representam uma parcela significativa do capital em bolsa, 31% no mês passado, segundo dados da Bovespa.
Em suma, os fundamentos da economia brasileira estão positivos e não há obstáculos do âmbito externo para que o país cresça esse ano. Por outro lado, o cenário político tem o poder de influenciar o mercado, como recentemente tem feito, com os anúncios de corrupção impedindo uma alta na Bovespa. Resta saber por quanto tempo a crise política irá perdurar e qual será a magnitude de seus impactos no mercado.