Eleições 2018

Quais são as sinalizações que os 7 cenários da pesquisa Ibope trazem para as próximas eleições?

Ex-presidente lidera em todas os levantamentos que consideram sua candidatura; veja lista com os 7 cenários abordados pela mais recente pesquisa Ibope

SÃO PAULO – No último fim de semana, o Ibope seguiu o movimento de outros institutos de pesquisa e deu início à divulgação das pesquisas de intenção de voto para a corrida presidencial de 2018. Foram levantados seis cenários estimulados com os principais nomes ventilados até o momento para o pleito e outro espontâneo. Em todos os casos que sua candidatura foi considerada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderou a preferência dos brasileiros, seguido pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Na ausência do petista, é Marina Silva quem herda a maior parte dos votos e passa a ocupar a primeira posição nas intenções de voto, tecnicamente empatada com o parlamentar. Entre os tucanos, em nenhuma das situações o percentual de votos supera os 10% — seja com João Doria disputando juntamente com Geraldo Alckmin ou com apenas um deles na disputa. A pesquisa foi feita entre 18 e 22 de outubro e contou com 2002 entrevistados com 16 anos ou mais em 143 municípios. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%.

As tabelas a seguir apresentam os principais resultados da pesquisa:

CENÁRIO 1 – Pesquisa espontânea:

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CENÁRIO 2 – Estimulada aberta:

CENÁRIO 3 – Estimulada com Fernando Haddad no lugar de Lula:

CENÁRIO 4 – Estimulada sem João Doria e Luciano Huck:

CENÁRIO 5 – Estimulada sem Geraldo Alckmin e Luciano Huck:

CENÁRIO 6 – Estimulada com Fernando Haddad no lugar de Lula e sem João Doria:

CENÁRIO 7 – Estimulada com Fernando Haddad no lugar de Lula e sem Geraldo Alckmin:

O que a pesquisa indica?

A pouco menos de um ano das eleições, as pesquisas são a fotografia de um momento ainda muito distante da corrida presidencial, em que grande parte dos eleitores ainda não refletiu sobre o tema e as campanhas dos potenciais candidatos ainda não ganharam intensidade. Os próprios nomes que disputarão o pleito ainda não estão definidos e muitos deles sofrem do desconhecimento por parte do eleitorado. Por ser a primeira pesquisa Ibope realizada para a próxima corrida presidencial, é ainda mais difícil fazer avaliações com maior profundidade sobre os resultados, uma vez que não é possível observar o comportamento das intenções de voto dos potenciais candidatos nos mais diversos grupos segmentados.

Contudo, alguns pontos sobre alguns dos principais candidatos chamam atenção. No caso de Jair Bolsonaro, conforme observado em outras pesquisas, é possível verificar profunda distância entre o eleitorado masculino e feminino. Na pesquisa espontânea, o deputado conta com o apoio de 14% dos eleitores homens e apenas 5% das mulheres, ao passo que nos cenários estimulados essa relação oscila entre 18-24% de votos masculinos e 9-12% femininos. O eleitorado de Bolsonaro também se caracteriza por ser majoritariamente jovem (entre 16 e 24 anos e 25 e 34 anos), com ensino médio ou superior cursados e renda familiar mensal superior a cinco salários mínimos. O deputado também tem muito mais força entre os eleitores com acesso a internet, o que se justifica por sua campanha ter mais espaço nos meios eletrônicos. Na pesquisa espontânea o deputado tem 13% entre os com acesso a internet e apenas 2% entre os que não acessam. Tal proporcionalidade persiste nos cenários estimulados.

No caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chama atenção a concentração de votos na região Nordeste, com 42% na espontânea e 57% nas estimuladas, seguida pelas regiões Centro-Oeste e Norte, com 32% na espontânea e algo entre 36% e 38% nas estimuladas. O petista lidera em todas as regiões do país, embora seja evidente que um bom desepenho no Nordeste se faça vital para o sucesso de sua candidatura em 2018. O desempenho de Lula é melhor entre o público com menor nível de escolaridade e renda, ao passo que nas faixas etárias a distribuição dos votos é mais equilibrada, embora o petista seja mais forte entre o público dos 25 aos 34 anos em todos os cenários.

Entre os tucanos, enquanto o prefeito João Doria apresenta um maior nível de concentração de votos no eleitorado com nível superior, o governador Geraldo Alckmin tem uma distribuição mais equilibrada nesse sentido. Levando-se em consideração a margem de erro da pesquisa, a dupla aparece tecnicamente empatada nos cenários que consideram os dois nomes e apresentam desempenhos dentro da magem em situações similares em que apenas um concorre.

O resultado da pesquisa pode significar uma pequena vantagem para o governador na disputa por representar o PSDB nas próximas eleições, uma vez que a estratégia do prefeito passava por se destacar nas triagens para inflar seu nome. De acordo com este levantamento do Ibope, Alckmin aparece um pouco à frente de seu pupilo político, embora dentro da magem de erro. O governador, contudo, tem uma situação mais adversa em relação ao presidente Michel Temer e o PMDB — fator que pode ser decisivo na definição do candidato tucano e até mesmo nas chances de êxito em 2018.

Também é preciso destacar a ex-senadora e ex-ministra Marina Silva. Candidata derrotada nas últimas duas eleições, ela ganha força na disputa nos cenários em que o ex-presidente Lula é substituído por Fernando Haddad. Uma de suas maiores fraquezas na fotografia do Ibope em outubro foi registrada na faixa do eleitorado com nível de escolaridade até a 4ª série do Ensino Fundamental. Contudo, na ausência de Lula na disputa, a ex-senadora passa a ser uma opção interessante na avaliação deste eleitorado.

No caso de Lula ser impedido ou decidir não disputar as próximas eleições, será preciso observar a capacidade de transferência de votos do petista ao nome que ele indicar às vésperas das eleições — potencialmente, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. A tendência é que o possível herdeiro do petista melhore seu desempenho, mas tal patamar e o quanto isso afetará a fotografia atual sobre a viabilidade de Marina Silva se consolidar como forte nome na ausência de Lula será uma incógnita.

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