Eleições 2018

PT quer Lula candidato até o limite; entenda a estratégia

Nas fileiras petistas, o animus é fomentar as incertezas e tirar proveito delas

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PT quer Lula candidato até o limite

Para o comando petista, o sucesso da estratégia de transferência de votos será proporcional à temperatura do momento do anúncio do candidato definitivo do partido. Ou seja, substituir Lula como candidato é uma decisão que deverá ser tomada “à quente”, somente no limite do período permitido pela lei eleitoral dia 17 de setembro, “no calor da disputa”.

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Pesquisas realizadas pelo partido mostraram que o eleitorado que se identifica como “lulista” ainda não topa pensar em outra candidatura, mesmo que seja um nome do PT. O lulismo não se vê representado por nenhum plano B, até porque desconhece os nomes mais cotados no PT para substituir Lula e expressa sentimento de traição quando se fala em colocar alguém no lugar do ex-presidente.

Para o partido, o jeito mais fácil de driblar essas dificuldades é mostrar ao eleitor que a sigla lutou até as últimas possibilidades jurídicas para que o ex-presidente fosse candidato. Só diante da impossibilidade, juramentada pelo Judiciário, é que o próprio Lula pediria o voto no substituto.

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Para efetivar esse plano, o caminho mais provável é que o partido oficialize como candidato o ex-presidente Lula em convenção na primeira semana de agosto. A depender do andamento das negociações de apoios para formar coligações, (principalmente com PSB, PCdoB e Pros), o PT estuda apresentar um vice de figuração até o dia 15 de agosto, quando seria apresentado o pedido de registro de candidatura em nome de Lula com um vice de peso, capaz até de substituí-lo.

A cúpula petista espera a negativa do registro de candidato do ex-presidente, mas acredita que vai recorrer ao Supremo, enquanto Lula se mantém candidato, embora isso também dependa de autorização da Justiça Eleitoral. O TSE pode determinar que o petista fique fora da disputa aguardando decisão de recurso no Supremo.

A batalha jurídica pela possibilidade de Lula ser candidato interessa à sigla, porque teria poder também de atrair atenção para o partido e seus interesses, a exemplo do que aconteceu semanas atrás, com a ordem de soltura do petista, o que – na visão do partido – maximizaria o potencial da transferência de votos. Nada mais que um preparação para eventual troca de nome do cabeça de chapa na data limite de 17 de setembro, 20 dias antes do primeiro turno.

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Na direção petista, há focos de resistência à tese de ir com Lula até o final e não substituí-lo. Dirigentes da sigla reconhecem em caráter reservado que seria “flertar com a irresponsabilidade” de conduzir 30 milhões de votos para a nulidade de um impasse jurídico sem solução. Nas fileiras petistas, o animus é fomentar as incertezas e tirar proveito delas.

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