Autocrítica

PT fará “mea culpa” admitindo erros dos governos Dilma e Lula, diz jornal

O partido decidiu que fará uma autocrítica e dirá que só é possível entender o impeachment se avaliados "os erros cometidos por nosso partido e nossos governos"

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SÃO PAULO – Nos últimos meses do governo de Dilma Rousseff foi bem comum ver especialistas e membros da oposição declarando que a presidente deveria fazer um “mea culpa”, assumindo que cometeu erros no fim de sua primeira gestão e início da segunda. Para muitos, o tempo de fazer isso ficou para trás, mas segundo o jornal Folha de S. Paulo, talvez o PT tenha entendido que agora é hora de assumir suas falhas.

De acordo com a publicação, o partido decidiu, em reunião feita nesta terça-feira (17), que fará uma autocrítica e dirá que só é possível entender o impeachment se forem avaliados “os erros cometidos por nosso partido e nossos governos”, principalmente relacionados à política de alianças e ao modelo econômico. O jornal disse que teve acesso ao documento, que pode sofrer alterações, produzido pelo presidente da sigla, Rui Falcão.

Entre outras coisas, o documento diz que o governo Dilma cometeu “equívocos”, que o PT errou ao “relegar tarefas fundamentais como a reforma política, a reforma tributária progressiva e a democratização dos meios de comunicação” e que a presidente afastada precisa “apresentar rapidamente um compromisso público” sobre o rumo de seu governo caso retome o cargo.

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“Ao lado das falhas propriamente políticas, demoramos a perceber o progressivo esgotamento da política econômica vigente entre 2003 e 2010, que havia levado a formidáveis conquistas sociais para o povo brasileiro […] O governo da presidenta Dilma Rousseff, em seu primeiro ano, optou por realizar um forte contingenciamento de despesas e investimentos, ao mesmo tempo em que elevava a taxa de juros”, diz um dos trechos.

Além disso, segundo a Folha, o documento ataca o impeachment de Dilma e mais uma vez chama o processo de “golpe”. “Apesar dos equívocos e dificuldades em dar continuidade ao processo de mudanças iniciado em 2003, a administração da presidenta Dilma Rousseff era obstáculo a ser removido de forma imediata e a qualquer custo, de tal sorte que um governo de transição pudesse dispor de tempo suficiente para aplicar o programa neoliberal antes que as urnas voltassem a se pronunciar”, diz.

“O avanço do movimento golpista, no entanto, somente poderá ser corretamente entendido se avaliarmos, de forma autocrítica, os erros cometidos por nosso partido e nossos governos. O fato é que não nos preparamos para o enfrentamento atual, ao perenizarmos o pacto pluriclassista que permitiu a vitória do ex-presidente Lula em 2002 e a consolidação de seu governo nos anos seguintes”, afirma o partido.