Imprensa internacional

“PT está mergulhado em um milhão de toneladas de lama tóxica”, diz revista The Nation

Revista americana The Nation, considera "bandeira da esquerda", questionou o partido da presidente Dilma Rousseff: "o PT pode sobreviver?"

SÃO PAULO – Financial Times, The Economist, Wall Street Journal. Olhando para os principais veículos da imprensa internacional, podemos perceber que as críticas sobre o governo brasileiro, Dilma Rousseff e o PT são bastante recorrentes. Estes veículos, com um viés mais liberal sobre a economia, apresentam muitas críticas ao modo intervencionista com que a presidente comandou seu primeiro mandato e o fato de não ter rompido este modo de governar completamente no segundo.

Porém, a revista americana semanal The Nation, que se define como “a bandeira da esquerda”, fundada em 1865, reforçou o coro com críticas contundentes, principalmente ao PT, em artigo da última edição. 

A revista questiona: “o PT pode sobreviver?” e traça um paralelo com as imagens da lama tóxica devido ao rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG) e o capítulo final na história de ascensão e queda do PT no poder. “Eleito em 2002 em meio a um otimismo sem limites, o PT agora está mergulhado no equivalente político de um milhão de toneladas de lama tóxica”, afirma a publicação.

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Em uma longa análise, a revista ressalta que Dilma enfrenta um processo de impeachment, uma economia em forte queda, enquanto os militantes do PT estão furiosos com as políticas de austeridade e com as estratégias de desenvolvimento que favorecem grandes empresas. Além disso, a revista ressalta o vasto conjunto de rede propinas e lavagem de dinheiro reveladas pela implacável investigação judicial conhecida como Operação Lava Jato, que já levou à prisão dezenas de políticos e empresários.

Não apresentaram nenhuma evidência de envolvimento de Dilma no escândalo, apesar de já ter ocupado posições na Petrobras, afirma a The Nation. Porém, ela enfrenta outros problemas em sua base eleitoral. “Reeleita presidente com um programa socialmente progressista em outubro de 2014, ela tem implementado políticas de austeridade que têm feito a economia parar e revertendo muitos ganhos de emprego e salários que ocorreram nos governos anteriores do PT”, afirma.

A revista ressalta que tanto os governos de Luiz Inácio Lula da Silva quanto o Dilma Rousseff implementaram uma estratégia de desenvolvimento e crescimento baseado na exportação de commodities e na criação de uma nova classe de consumidores.

“Ajudada por empréstimos em condições favoráveis a partir do enorme banco público de desenvolvimento brasileiro BNDES, o veículo chave para uma política orientada para o estado industrial do PT, a Vale se tornou a maior produtora de minério de ferro do mundo, enviando bilhões de toneladas de minério para a China. Além disso, a empresa acessou os mercados de dívida estrangeiro. Quando o boom das commodities estava em pleno voo, alimentando o crescimento das taxas de crescimento e da valorização da moeda brasileira. Esses dias felizes para ele e outros gigantes corporativos brasileiros marcaram o resultado mais extraordinário dos anos Lula: o Brasil tornou-se o queridinho dos mercados financeiros internacionais e, ao mesmo tempo, o pleno emprego, os programas de renda mínima do governo e aumentos salariais tiraram 30 cidadãos milhões da pobreza extrema. Lula se tornou o salvador, tanto da favela quanto dos gestores do fundo”, afirma a revista.

A publicação ressalta que estes dias acabaram, que os preços de commodities como minério de ferro colapsaram e que a Vale, agora, enfrenta problemas. “O custo de limpar o desastre em Minas Gerais também não deve ajudar”, afirma.

Enquanto isso, Lula está diretamente atingido pelas reviravoltas da Lava Jato, que chega cada vez mais perto dele é investigado pelo Ministério Público por tráfico de influência. Contudo, a revista ressalta que a questão agora a ser feita é se Lula pode reemergir como líder. “As pesquisas de opinião mostram que, mesmo aos 70 anos, ele ainda é o político mais popular no Brasil, apesar de repetidas acusações de corrupção em coro a cada dia na mídia”.

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