Lava Jato

PT e executivos teriam recebido R$ 1,2 bilhão em propina, detalha planilha de delator

Os contratos listados por Barusco somam R$ 97 bilhões, sendo que a propina equivale a 1,3% deste valor; o PT ficou com a maior parte dos recursos, segundo a planilha: R$ 455,1 milhões

SÃO PAULO – Os 89 maiores contratos da Petrobras (PETR3PETR4) resultaram em volume de R$ 1,2 bilhão em propina, de acordo com a planilha entregue aos procuradores da Operação Lava Jato por Pedro Barusco, ex-gerente executivo da estatal. Os números foram corrigidos pela inflação do período. As informações são da Folha de S. Paulo

Os contratos listados por Barusco somam R$ 97 bilhões, sendo que a propina equivale a 1,3% deste valor. Em depoimento ao Ministério Público, Barusco disse que as propinas eram entre 1% e 2% dos valores dos contratos firmados entre 2003 e 2010 na petroleira, que eram desviados entre partidos e dirigentes da Petrobras.

A tabela possui cinco páginas e detalha em que acertos houve propina, quem pagou, os intermediários, a data e como o dinheiro foi dividido entre o PT, Paulo Roberto Costa (ex-diretor de abastecimento), Renato Duque e Barusco. 

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O PT ficou com a maior parte dos recursos, segundo a planilha: R$ 455,1 milhões (US$ 164 milhões). O partido nega ter recebido doações ilegais. 

Na quinta-feira, o delator disse que o PT teria recebido de propinas em contratos da estatal uma quantia entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões. Segundo Barusco, os valores se referiam a propina em 90 contratos da estatal com grandes empresas fechados entre 2003 e 2013, durante os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. O partido, no entanto, reiterou, em nota oficial, que recebe apenas doações legais e que são declaradas à Justiça Eleitoral, e prometeu processar seus acusadores “pelas mentiras proferidas contra o PT”. 

Os pagamentos ocorreram entre maio de 2004 e fevereiro de 2011, nos governos Lula e Dilma Rousseff. Os dados mostraram que a maior parte da propina foi paga em 2010, ano da primeira eleição de Dilma. Teriam sido embolsados R$ 374 milhões e o PT teria ficado com R$ 120 milhões. 

De acordo com o documento, um dos principais nomes dentro do esquema é o consultor Mário Goes, que, segundo Barusco, atuou como operador das empresas UTC, MPE, OAS, Mendes Júnior, Andrade Gutierrez, Schahin, Carioca e Bueno Engenharia para viabilizar o pagamento de propinas relativas a contratos entre 2004 e 2013. Na planilha, é possível ver a quem foi desviado cada montante. (Confira,clicando aqui). 

Mário Goes, que é engenheiro e amigo de Barusco há 15 anos, era figura responsável pelo pagamento regular de propinas em nome de várias construtoras no Brasil e no exterior. Segundo Barusco, em muitos casos, os pagamentos eram feitos em dinheiro vivo. O ex-gerente da Petrobras disse que cada pagamento variava entre R$ 300 mil e R$ 400 mil. Goes entregou-se na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, onde os demais envolvidos estão presos. Ele estava foragido desde quinta-feira (5), quando teve prisão decretada, mas não foi encontrado em seu endereço no Rio de Janeiro.